Alegria, amizade e amor pela arte. Essas são as marcas registradas do grupo Dançart Especial, do Centro de Ensino Especial 303, de Samambaia Sul. O projeto, que atende jovens com diferentes tipos de deficiência intelectual, envolve dança e artes cênicas. O projeto começou há cinco anos, no Centro de Ensino Especial 1, de Ceilândia, por iniciativa da professora de educação física Sônia Maria Ramalho. Como a experiência deu certo, ela resolveu levar o projeto para a cidade onde passou a trabalhar.
Hoje, 23 alunos com idades entre 18 e 30 anos participam da equipe. As aulas são ministradas diariamente, no período matutino. Sônia diz que o método utilizado no Dançart é baseado no do bailarino mineiro Klauss Vianna, em que a dança é livre, sem necessidade de coreografias, e o corpo é usado para expressar o que se pensa e sente.
Atualmente, a equipe apresenta três espetáculos: Billie Jean (de Michael Jackson), Lago dos cisnes e Não decore passos, aprenda o caminho. Eles rodam por todo o DF apresentando os números para angariar fundos e se manter. Este ano, 26 escolas já procuraram a equipe.
Sônia tem o apoio de outras pessoas, como da educadora Sheila Costa e do auxiliar de direção, Aldo Rosemiro, além das mães dos alunos para ensaiar e acompanhar os jovens.
Segundo Cleci da Silva Souza, diretora da escola em Samambaia, o projeto de dança integra a disciplina de artes. “Percebemos que os estudantes que participam de atividades desse tipo ficam mais sociáveis e melhoram até a frequência escolar”, comenta.
Amor pelo que faz
A professora Sônia Maria Ramalho diz que, além dos espetáculos, a equipe faz, esporadicamente, bazares de roupas para conseguir mais verba. “Não recebemos apoio governamental. Apesar das dificuldades, amo o que faço e por isso não largo de jeito nenhum!”, completa.
Espaço para se desenvolver e fazer amigos
O gosto pela dança atraiu para o grupo o jovem Fernando de Souza, 29 anos, portador de Síndrome de Down. “Adoro Michael Jackson. Aqui posso fazer as coreografias dele e conhecer pessoas novas”, diz. O colega de grupo, Leonardo Gurgel, 22 anos, diz que adora ir para escola para se encontrar com o pessoal. “Aqui fiz amigos, aprendi a dançar. Gosto mais de teatro, mas no final das contas adoro os dois porque dança e teatro se complementam”.
Tereza de Souza Silva, 59 anos, mãe da aluna Veralúcia de Souza, diz que sentiu melhoras significativas no desempenho escolar e no desenvolvimento intelectual da filha depois da entrada na equipe. “Ela adora o Dançart, por isso faz questão de vir sempre. Quer sempre melhorar nas coreografias e aprender coisas novas”, diz.
Participação
Alunos de outros centros de ensino especiais também podem participar. Pessoas ou instituições que queiram fazer doações para o grupo podem entrar em contato diretamente com a professora Sônia, pelo telefone (61) 8478 – 9052.