Andréia Castro
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Você acorda duas horas mais cedo todos os dias só para fazer o tempo render? Prefere usar as escadas para não ter de esperar pelo elevador? Fica estressado quando se depara com um sinal vermelho no trânsito? Se você acha que tudo é para ontem, cuidado! Você pode estar sofrendo da síndrome da pressa.
Apesar do nome, a pressa em excesso não é considerada uma doença: na verdade, é um comportamento que precisa ser controlado, pois faz com que o apressado sofra com ansiedade e angústias.
Para o tratamento, é preciso aceitar a condição, em primeiro lugar. “A pessoa não percebe que tem um problema, ela nega que esteja indo rápido demais. Quando é alertada, diz que aquele é seu ritmo de vida e que é tudo normal”, explica Ana Maria Rossi, coordenadora da International Stress Management Association (Associação Internacional de Gerenciamento do Estresse).
Segundo uma pesquisa realizada por Ana Maria com mil trabalhadores de 25 a 65 anos, 30% dos entrevistados disseram apresentar os sintomas da síndrome da pressa. Desses, 13% reconheceram o impacto da pressa em demasia na qualidade de vida, mas ainda não haviam feito nada a respeito; 8% diminuíram o ritmo após a percepção do problema; e 56% usam medicamentos prescritos para ansiedade ou depressão ou se auto-medicam.
A rotina da enfermeira gaúcha Graça Camargo, de 49 anos, pode ser considerada extenuante pela maioria das pessoas. Ela acorda todos os dias às 5h para evitar o estresse gerado pelo trânsito matutino. Às 7h, ela já está no plantão. Não sem antes engolir um café puro e biscoito água e sal – seu café da manhã de segunda a sexta. Antes de correr para o doutorado, ela toma um suco ou come uma fruta. “Não almoço. Não posso perder tempo. Só consigo comer algo digno às 20h, quando chego em casa”, explica Graça, que ainda confessa não andar de elevador pois subindo de escadas economiza algum tempo.
A rotina ainda inclui escrever artigos para publicação, cuidar dos filhos e tentar ter algum tempo para o marido. “Só vou dormir depois da meia-noite e, mesmo assim, muitas vezes a cabeça não desliga – o que acaba me tirando algumas horas de sono”, calcula.