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Brasília

Sindicatos protestam contra escala 6×1 no Dia do Trabalhador em Brasília

Trabalhadores e ativistas ocuparam as ruas em diversas cidades brasileiras para exigir o fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso, sem perda salarial.

Redação Jornal de Brasília

01/05/2026 20h10

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas saíram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado do Dia Internacional do Trabalhador, para protestar contra a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1), exigindo direitos laborais sem redução salarial.

Em Brasília, o ato unificado ocorreu no Eixão do Lazer, na Asa Sul, organizado por sete centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos pela redução da jornada de trabalho e justiça social. O movimento argumenta que a redução da jornada não prejudica a economia, mas aumenta a produtividade, contrariando o que classificam como ‘terrorismo’ propagado por algumas empresas.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, destacou a necessidade de descanso como direito humano e medida inteligente para as empresas. ‘O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma questão de justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas’, afirmou.

Participantes compartilharam experiências pessoais. A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, compareceu com familiares e criticou a falta de direitos trabalhistas, como o não pagamento de hora extra em feriados. A vendedora informal Idelfonsa Dantas enfatizou a luta diária por melhores condições para a população trabalhadora.

Bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha, aprovadas em concurso público em 2022 mas ainda desempregadas, defenderam a valorização dos profissionais de educação. ‘As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas’, disse Ellen Rocha.

A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, que trabalhou anteriormente em jornadas exaustivas, relatou melhorias na saúde após mudar para escala 5×2 e defendeu a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. A aposentada Lana Campani chamou a escala 6×1 de ‘escala da escravidão’ e exigiu o fim da precarização da mão de obra e a preservação de conquistas como as da CLT.

O sindicalista Geraldo Estevão Coan, defensor dos direitos de operadores de telemarketing, protestou contra a jornada dupla ou tripla enfrentada pelas mulheres e conclamou os homens a compartilharem tarefas domésticas, beneficiando especialmente as trabalhadoras com o fim da escala 6×1.

O ato registrou um breve confronto com apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que levaram um boneco em tamanho real vestido com a bandeira do Brasil, visto como provocação pelos manifestantes. Houve troca de insultos e socos, mas a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) conteve o tumulto rapidamente, sem registro de ocorrências graves.

Com informações da Agência Brasil

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