Dione Maycon
dione.maycon@jornaldebrasilia.com.br
Responsável por muitas mortes e ocorrências junto ao Corpo de Bombeiros, o afogamento é a quarta causa de morte acidental em adultos e a terceira em crianças e adolescentes de todo o mundo. Em Brasília, o Lago Paranoá acumula a maior parte das ocorrências, visto que se encaixam, também, incidentes com embarcações. No período de férias, a preocupação é redobrada.
Para prevenir os acidentes e buscar meios de agilizar os atendimentos, o Corpo de Bombeiros fez um exercício simulado de afogamento no Lago Paranoá, com o apoio de um barco e uma moto aquática.
Somente em 2011, foram registrados 33 afogamentos com óbito, 17 deles no Lago Paranoá, de acordo com o Corpo de Bombeiros. De janeiro a junho deste ano, já foram 14 mortes, sendo dois casos no Lago.
Segundo o tenente-coronel Élcio Alves Barbosa, a maioria das mortes por afogamento se dá por irresponsabilidade ou falta de cuidados. “A água do Lago é fria e turva. Isso propicia que os casos ocorram. Há situações em que a pessoa entra na água bêbada, e isso é muito perigoso”, alerta.
Outro fator que influencia nas ocorrências é o uso de equipamentos improvisados, como câmara de ar de caminhões – usada como boia – e colchões infláveis, que não oferecem segurança. O tenente-coronel alerta para que os banhistas usem itens apropriados.
“Na simulação, usamos os colchões e fazemos um alerta para que a população que não use isso, de maneira alguma. Ao cair na água, o colchão, por ser leve e com ar, salta a uma distância considerável. Só o tempo que a pessoa gasta ao cair na água para chegar novamente ao colchão pode custar a vida”, alerta.
Os afogamentos podem ser classificados em dois tipos: primário e secundário. O primeiro é considerado um trauma provocado pela situação inesperada, que foge ao controle da pessoa, como o afogamento com colchões. O secundário ocorre pelo consumo de drogas e álcool – responsável pela maior parte dos incidentes com adultos –, além de crises agudas de doenças, como infarto e convulsões. Pode ocorrer também em razão de traumatismos cranianos e de coluna provenientes de mergulho em águas rasas, descompressão nos mergulhos profundos, hipotermia e exaustão.