Os servidores técnico-administrativos da Universidade de Brasília aprovaram, em assembleia nesta terça-feira (20), seguir orientação da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas (Fasubra) de encerrar a greve da categoria, que completa 106 dias.
A volta ao trabalho depende, no entanto, do resultado das assembleias de funcionários que ocorrerão até sexta-feira nas 50 instituições de ensino superior atualmente em greve. Se a maioria delas aprovar a saída do movimento, as atividades serão retomadas no próximo dia 26 na UnB e demais instituições. “É bem provável que na segunda-feira os serviços voltem ao normal”, disse Antônio Guedes, um dos condenadores do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub).
A decisão da Fasubra foi aprovada no último dia 15, depois que duas universidades saíram do movimento. Com a retomada das atividades, a entidade espera conseguir negociar com o governo federal.
A categoria reivindica piso salarial de pelo menos três salários mínimos. Segundo a Fasubra, o vencimento básico dos técnico-administrativos atualmente é R$ 1.034. A entidade queria que o reajuste fosse incluído na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012, encaminhada pelo governo ao Congresso Nacional. No entanto, em mais de um encontro com representantes sindicais dos servidores, o Ministério do Planejamento afirmou que só negociaria com o encerramento da greve.
O fim da paralisação na UnB foi aprovado pela maioria dos cerca de 150 servidores presentes na assembleia. Apenas 20 votaram contra e 13 se abstiveram. “Não é uma derrota”, avaliou, durante a assembleia, Eurides Pessoa, uma das coordenadoras do Sintfub. “Temos de ser realistas e confiar no compromisso de negociar colocado pelo governo”, completou.
Mauro Mendes, também integrante da coordenação do Sintfub, defendeu a saída da greve, mas lamentou a falta de negociação. “A culpa da não negociação por causa da paralisação é uma ideia plantada pelo governo federal”, disse. Ele defendeu a continuidade da mobilização para garantir as reivindicações. “Temos de continuar a luta”, enfatizou.
TEMPORÁRIO – A ideia é elaborar uma pauta de entendimento com o governo desde já e, se não houver negociações, voltar à greve no próximo semestre. Até lá, o movimento pretende fazer paralisações para pressionar o legislativo federal em votações de emendas, como a que regula o regime jurídico único dos servidores e a que corrige distorções na carreira.
Os funcionários querem também barrar a votação do Projeto de Lei 1.749/2001, que cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), no Senado Federal. A votação na Câmara dos Deputados está marcada para a tarde desta terça-feira. Para o movimento, a empresa privatiza os serviços e fere a autonomia universitária. Na semana passada os grevistas fizeram manifestação que barrou a discussão da PL na sessão ordinária da Comissão Especial que cuida do assunto na Câmara dos Deputados.
O servidor Marcos Valério defendia a volta ao trabalho há algum tempo. Para ele, os grevistas perderam a oportunidade de recuar anteriormente. “Não conseguimos buscar a unidade necessária do movimento para negociar com o governo”, disse. Na opinião dele, é preciso repensar o método de negociação. Marcos aponta que várias categorias que não entraram em greve conseguiram aumentos, como os professores.
Rogério Fagundes, da Fasubra, lembrou que outras categorias continuaram sem aumento, mesmo não estando em greve. Como exemplo, citou servidores dos ministérios da Saúde e da Cultura, e funcionários da Funasa e do INSS.