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Brasília

Sepir-DF irá reunir com a polícia civil para pleitear delegacia especializada em crimes raciais

Arquivo Geral

24/09/2013 14h00

Nesta terça-feira (24), às 15h00, no complexo da Polícia Civil, edifício sede, o secretário de Estado da Secretária Especial da Promoção da Igualdade Racial, Viridiano Custódio terá audiência com o Diretor Geral da Polícia Civil, Jorge Luiz Xavier o assunto a ser discutido é a implantação de delegacia especializada em crimes raciais.

 

No Distrito Federal, os números de denúncias de casos de injúria racial são expressivos, em 2012 foram registradas 402 ocorrências em delegacias.

 

A SEPIR/DF tem atuado de forma efetiva para enfrentar o racismo. Em 20 de março lançou o serviço Disque Racismo 156 (opção 7).

 

Conforme o secretário Viridiano Custódio, “desde o lançamento até a data atual, o serviço recebeu 5.439 ligações, na triagem 66 denúncias caracterizaram crimes raciais e temos 13 casos presencias atendidos pela ouvidora da SEPIR/DF”.

 

A sociedade brasileira convive de forma histórica com a violência de crimes raciais e as ações são silenciadas pelo medo das vítimas de denunciar a discriminação racial.

 

O caso da técnica em nutrição Elaine da Silva, 32 anos, funcionária de uma padaria da Asa Sul teve repercussão ao ser divulgado pela mídia.

 

A aposentada Nathércia de Andadre Rabelo, 48, consumiu produtos da padaria Belini, 113, na hora de efetuar o pagamento discordou do preço do suco e agrediu de forma verbal a funcionária que estava no caixa da padaria. A também funcionária Elaine da Silva tentou acalmar a cliente e relata, “Quando me aproximei, ela gritava, os negros querem me roubar, odeio negros, mesmo que chamássemos a polícia, ela não seria presa”.

 

“Depois do acontecido pedi demissão do trabalho, não me sentia mais a vontade, no local, a cena voltava na minha cabeça, me senti impotente com a situação de constrangimento e humilhação e, ainda, essa cliente fez ameaças dizendo que ia voltar e matar todo mundo, por este motivo, resolvi sair do trabalho”, concluiu Elaine.

 

Outro caso de crime racial ocorreu na lanchonete Comilão Lanches, no Cruzeiro Novo, a cliente Aline de Almeida Paz, 26, relatou a sua história, “eu estava na lanchonete com meu namorado quando a senhora Adriana Clementino chamou o garçom e perguntou se o estabelecimento tinha costume de aceitar pessoas como ela e apontou para mim, ainda falou alto, pergunta se essa negra não quer pagar a minha conta. Neste momento perguntei se ela estava falando comigo e a senhora respondeu é como você sim, sua negra, negra da senzala e, saiu gritando, negra escrava, além de outras palavras de baixo calão”.

 

“Fiz boletim de ocorrência na polícia civil e entrei com processo no Ministério Público, mas para minha surpresa, o registro feito pelas autoridades foi apenas de calúnia e difamação e não crime racial, o andamento está parado, o fato ocorreu há 02 anos. Já marcaram algumas audiências, mas a acusada não compareceu e quando é intimada, é irônica com as autoridades, dizendo se a polícia não tem mais o que fazer, deve ir atrás de bandidos e não dela. Depois do ocorrido fiquei com medo de andar na rua e encontrar e ser agredida por essa mulher, além de sentir tremores, angústia e uma sensação ruim de forma constante”, conclui Aline.

 

O secretário da SEPIR/DF, Viridiano Custódio diz, “casos como o da Aline é comum, as pessoas não são atendidas de maneira adequada, pois os profissionais de segurança não são treinados para oferecer atendimento especializado, o crime cometido contra essa jovem foi crime racial e não calúnia e difamação. Acredito que é de suma importância a criação de delegacias especializadas para registro de ocorrências de crimes étnico-raciais”.

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