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Brasília

Senadores prestam solidariedade ao movimento da UnB Ceilândia

Arquivo Geral

15/09/2011 14h43

Emilia Silberstein/UnB AgênciaA ocupação ao prédio da Reitoria se estendeu ao Memorial Darcy Ribeiro. Na manhã desta quinta-feira (15), um grupo de estudantes mudou o rumo de uma audiência da Universidade de Brasília (UnB) e do Senado contra a corrupção. Os alunos que ocupam o prédio da Reitoria da UnB desde o meio-dia da última terça-feira interromperam a discussão às 11h45 com palavras de ordem e refrões de protesto. Todos os senadores prestaram solidariedade à causa.

O encontro foi proposto pelo reitor José Geraldo de Sousa Junior e aprovado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal para debater o combate à corrupção. Quando os estudantes chegaram no prédio, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) falava sobre corrupção e prestava solidariedade ao movimento. Um grupo já estava no local desde o início da audiência e já havia se manifestado sobre a ocupação da Reitoria.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) pediu aos estudantes que respeitassem o direito dos parlamentares e convidados de continuar debatendo o tema da corrupção, mas foi interrompido pelos manifestantes antes que concluísse o argumento. “Já prestamos solidariedade à causa dos estudantes, que é justa, mas temos também outros temas para discutir”, disse o senador.

Eduardo Suplicy (PT-SP) confessou aos alunos que não conhecia a situação do campus em detalhes, mas se comprometeu a entrar em contato com o governador Agnelo Queiroz. O senador paulista não foi o único quem levantou o nome de Agnelo. Estudantes, o ex-reitor da UnB e senador Cristovam Buarque (PDT-DF), e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do DF, Fernando Caputo, ressaltaram a necessidade de compromisso do governador com a causa.

“Há dois tipos de corrupção: a de comportamento e a de prioridade. Não é correto termos uma obra como a do campus parada enquanto um estádio para Copa do Mundo é construído”, afirmou Cristovam. O ex-reitor pediu aos estudantes que não deixem de se mobilizar. Porém, aconselhou o grupo a fazer reivindicações que vão além dos problemas locais. “É preciso brigar sempre. Fico feliz que a briga seja por um campus novo. Isso mostra que a universidade está crescendo. A gente sempre põe a culpa no reitor, mas temos que olhar mais para essa empresa, que falhou”, disse.

Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) relembrava os tempos de militância estudantil quando foi interrompido pelos estudantes. “Há 18 anos estava do outro lado dessa mesa. Participei de uma geração que ocupou as ruas do país e derrubou um presidente”, dizia quando Juliane Alves, estudante da UnB Ceilândia, começou a falar. “A gente sabe que a demanda social é grande. Porém, estamos aqui com um problema que não pode esperar. Só vamos sair quando tivermos algo tão concreto quanto as paredes que queremos ver erguidas na nossa universidade”, afirmou. Juliane convidou os parlamentares a irem até o prédio da Reitoria. “Queremos que vocês vejam como nosso movimento é legítimo”, disse.

Após manifestações de solidariedade, os alunos pediram uma posição do governo local. “O Brasil inteiro se pronunciou, menos o governador. O silêncio dele só está comprovando a falta de compromisso com o campus da UnB Ceilândia”, afirmou Juliane, que fez um estendeu ao governador o convite para conhecer o movimento estudantil.

“Reconheço a angústia do senhor reitor, porque sei que desejava já ter inaugurado há tempos esse campus. Temos que responsabilizar os diretores dessa empresa e cobrar uma punição pelo descumprimento do contrato”, disse Francisco Caputo. O presidente da OAB também se colocou à disposição dos estudantes para mediar uma conversa com o governador. Os estudantes deixaram o Beijódromo para dar continuidade às reuniões no Salão de Atos da Reitoria. Eles saíram do auditório entoando o grito de guerra: “Dinheiro do povo não é campim, eu quero meu campus, sim!”.

O encontro também teve a participação dos senadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Pedro Taques (PDT-MT) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).

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