Mesmo garantindo aos cidadãos o direito de pedir documento que comprove os motivos da recusa do atendimento nos hospitais públicos, a recomendação do Ministério Público Federal (MPF), acatada pela Secretaria de Saúde do DF na quinta-feira, não abona aqueles que desistem do atendimento, após horas de espera. E muitos reclamam das filas nas unidades, que provocam a desistência do paciente.
A reportagem do Jornal de Brasília flagrou pessoas que estavam há mais de cinco horas na expectativa pelo acolhimento. Se abandonassem o banco de emergência, até poderiam exigir a declaração. Contudo, de acordo com a Secretaria de Saúde, a certidão “é para quando o paciente não for atendido. Caso ele desista do atendimento, a responsabilidade não é da unidade de saúde”. O MPF, porém, é enfático ao destacar que o documento é obrigatório em todos os casos.
HRC
“Aqui dentro, as pessoas não têm valor algum. É melhor morrer em casa do que vir para cá e ainda ser humilhado, esperando horas na fila”. Este foi o desabafo do vigilante Luis Carlos Lira, 46, que aguardava atendimento junto à esposa no Hospital Regional de Ceilândia. Por lá, pacientes chegam a esperar mais de seis horas.
A culpa, informou a assessoria de comunicação da unidade, é a alta demanda. Contudo, aqueles que estavam na fila disseram que não há transparência nos esclarecimentos e, mais: ontem cedo não estavam fazendo nem a triagem. O porquê, ninguém soube explicar.
“É obrigação dos hospitais públicos, diante do pedido do paciente, entregar a certidão a ele. Contudo, realmente, ainda não houve a discussão para o próximo passo que é a responsabilidade pela falta de acolhimento”, esclareceu o procurador da República Carlos Henrique Martins Lima.
Contudo, ele ressaltou: “Os gestores das unidades não podem imputar ao cidadão que passe oito, nove horas nas filas e depois simplesmente dizer que a ele foi embora porque quis”.
Diante disso, mais uma vez, a população fica de mãos atadas. “Nem sabia dessa regra. Não fui informada e, sinceramente, dá mesmo vontade de voltar para a casa. Mas não posso. Não consigo nem andar direito”, afirmou a babá Milca Ferreira, 40 anos. Há mais de cinco horas esperando no HRC, ela revelou que as informações estavam desencontradas.