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Brasília

Saúde do DF: puxão de orelha pouco adiantou

Arquivo Geral

08/06/2013 9h03

Mesmo garantindo aos cidadãos o direito de pedir documento que comprove os motivos da recusa do atendimento nos hospitais públicos, a   recomendação do Ministério Público Federal (MPF), acatada pela Secretaria de Saúde do DF na  quinta-feira, não abona aqueles que desistem do atendimento, após horas de espera. E muitos reclamam das filas nas unidades, que provocam a desistência do paciente. 

 

A reportagem do Jornal de Brasília flagrou pessoas que estavam há mais de cinco horas na expectativa pelo acolhimento.  Se abandonassem o banco de emergência, até poderiam exigir a declaração. Contudo, de acordo com a Secretaria de Saúde, a certidão “é para quando o paciente não for atendido. Caso ele desista do atendimento, a responsabilidade não é da unidade de saúde”. O MPF, porém, é enfático ao destacar que o documento é obrigatório em todos os casos.

 

HRC

 

“Aqui dentro, as pessoas não têm valor algum. É melhor morrer em casa do que vir para cá e ainda ser humilhado, esperando horas na fila”. Este foi o desabafo do vigilante Luis Carlos Lira, 46, que aguardava atendimento junto à esposa no Hospital Regional de Ceilândia. Por lá, pacientes chegam a esperar mais de seis horas.

 

A culpa, informou a assessoria de comunicação da unidade, é a alta demanda. Contudo, aqueles que estavam na fila disseram que não há transparência nos esclarecimentos e, mais: ontem cedo não estavam fazendo nem a triagem. O porquê, ninguém soube explicar. 

 

“É obrigação dos hospitais públicos, diante do pedido do paciente, entregar a certidão a ele. Contudo, realmente, ainda não houve a discussão para o próximo passo que é a responsabilidade pela falta de acolhimento”, esclareceu o procurador da República  Carlos Henrique Martins Lima.

 

 Contudo, ele ressaltou: “Os gestores das unidades não podem imputar ao cidadão que passe oito, nove horas nas filas e depois simplesmente dizer que a ele foi embora porque quis”.

 

Diante disso, mais uma vez, a população fica de mãos atadas. “Nem sabia dessa regra. Não fui informada e, sinceramente, dá mesmo vontade de voltar para a casa. Mas não posso. Não consigo nem andar direito”, afirmou a babá Milca Ferreira, 40 anos. Há mais de cinco horas esperando no HRC, ela revelou que as informações estavam desencontradas.

 
 
 
 
Acolhimento “só Deus sabe quando”
 
 
 
De acordo com o MPF, o documento deve registrar nome do paciente, unidade de saúde, data e justificativa para a falta de atendimento. A ideia é dar transparência às queixas da população. “Só Deus sabe quando seremos atendidos. Aqui, nada é fácil. O cidadão não tem garantia nenhuma”, salientou a dona de casa Maria Carvalho, 54, que estava há mais de quatro horas na fila do atendimento de emergência do HRC.  
 
 
Enquanto a recomendação não define as responsabilidades pela falta de atendimento, no Hospital de Taguatinga, mais duas senhoras reclamaram das longas esperas e da falta de retorno das consultas. “Normalmente, a gente fica mais de duas horas na emergência. Hoje está até tranquilo, porque é cirurgia. Mas, fiquei mais de um mês esperando para fazê-la”, contou a agente de saúde Marli Ferreira, 52, que aguardava ser chamada para realizar operação de glaucoma.  
 
 
 
 Questionada sobre a falta da divulgação da medida, a Secretaria de Saúde apenas respondeu que “a informação é disponibilizada a todos os cidadãos através da Lei de Acesso à informação, e não está sendo feita nenhuma divulgação publicitária”.  

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