A venda de roupas e itens brancos se tornou, nesta última semana do ano, o foco do comércio em decorrência do Réveillon. A superstição das cores é o fator que movimenta o setor, principalmente nas cores branco, para a paz, o amarelo, para prosperidade e o verde, para esperança e renovação. Os itens mais procurados pelos clientes nas lojas são vestidos, blusas e calças.
De acordo com Geraldo de Araújo, presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista-DF), a última semana ainda é de grande movimento e importância para os lojistas. Segundo ele, estima-se um aumento de 12% nas vendas, garantindo maiores margens de lucro até o último dia do ano e cumprindo as metas estabelecidas previamente. No último ano, o aumento de vendas no setor no mesmo período foi de 8%.
O público feminino é o alvo do comércio neste período e, portanto, o investimento das lojas tem sido em itens como vestidos, de modelos curtos e longos, saias, croppeds e acessórios nas cores do ano novo. A aposta é também nas mais diversas variações, que vão desde os modelos mais simples até os mais trabalhados, indo também dos mais brilhantes aos mais minimalistas, a fim de agradar a todos as preferências.

Na loja de roupas e acessórios Mix 10, no Paranoá, a organização da vitrine foi pensada para as celebrações do ano novo, com todos os principais manequins vestidos de branco, a fim de atrair a clientela. A estratégia tem funcionado, de acordo com a supervisora de vendas do estabelecimento, Maria das Graças.
“Montamos desse jeito [com os manequins vestidos de branco] na segunda-feira de manhã, antes de abrir a loja. Depois do Natal, são as vendas que mais saem”, afirmou. “O pessoal vê na vitrine e quer os modelos que estão lá. Chama a atenção. Focamos mais no branco porque é o mais procurado, mas agora o pessoal tem perguntado das cores amarelo e verde também”, continuou.
Segundo ela, nas últimas semanas a loja chegou a ter aumento de vendas em cerca de 40%, alcançando as metas estabelecidas. Apesar de não ser na mesma proporção que o pico das vendas do Natal, ela acredita que haverá maior aquecimento do movimento no estabelecimento entre quinta e sexta-feira, para fechar o ano com saldo maior que o de 2021. “Ainda não chegamos no mesmo patamar, mas acredito que o Natal ajudou bastante. Espero que 2023 seja ainda melhor”, disse.
Para a consumidora Mônica Pereira, 34, que esteve na loja, o ano novo vai ser “na farra”, com muita festa nas comemorações do fim de ano e virada para 2023. Ela se interessou em um vestido branco para passar o Réveillon pedindo por paz. “Quero alegria e prosperidade”, destacou como votos para o novo ano. O modelo escolhido agradou e ela levou a peça, desejando melhores dias.
Na Lafort Jeans, loja de roupas do Paranoá, a vendedora Kayoane dos Santos, 20, explicou que a preferência de cores dos clientes tem sido diferente do comum para o Réveillon. “O branco e o amarelo ainda têm sido procurados porque para muitas pessoas continua a cultura da superstição, mas parece que muitos querem dar uma modernizada”, disse.
“Tradicionalmente a procura era pelo branco e pelo vermelho, mas estamos com muitos clientes pedindo roupas lilás e off-white [variações de branco com tons de cinza e bege], mudando um pouco a tradição. Nosso público já estava pedindo por essas peças, então buscamos algumas peças já sabendo que iriam vender bastante”, destacou.
O movimento de pessoas na loja aumentou em cerca de 80%, segundo Kayoane, superando as expectativas. A expressividade nas vendas animou os funcionários, que enxergam as metas cumpridas como uma esperança de dias melhores após os impactos da pandemia da covid-19. “Foi bem além do que esperávamos. Dia 24 mesmo [véspera de Natal] foi muito bom. Estamos muito alegres”, finalizou.