De janeiro até o fim de novembro deste ano, 128 pessoas morreram em 115 acidentes nas rodovias distritais, as DFs. No mesmo período do ano passado, houve 158 colisões fatais e 177 mortes, uma redução de 27%, segundo dados do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF). Em todo o ano de 2014, foram 167 acidentes fatais e 187 óbitos.
A DF-001, conhecida como Estrada Parque Contorno (EPCT), e a Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia) são as duas rodovias mais perigosas do Distrito Federal. Somente na primeira, que circunda o DF e passa por pontos como os pistões Sul e Norte de Taguatinga, foram 16 acidentes com mortes. A Epia, por sua vez, registrou dez acidentes fatais.
O DER explica que o número expressivo na DF-001 tem relação com o fato de ser a rodovia de maior extensão do Distrito Federal, com quase 140 quilômetros.
“A EPCT e a Epia são, respectivamente, as rodovias de maior comprimento em todo o DF. Por isso, o DER intensifica a fiscalização nessas rodovias com o objetivo de reduzir os pontos críticos de acidentes e congestionamentos”, explica Henrique Luduvice, diretor-geral do DER-DF. Segundo ele, o órgão também irá implementar programa de sinalização vertical e horizontal nas rodovias, o que permitirá que os motoristas possam dirigir com mais informações sobre a via e outros destinos.
“Isso ocorrerá prioritariamente nas rodovias com maior fluxo e que demandam necessidade de mais fiscalização, por possuírem mais acidentes”, justifica. Esse trabalho deve começar pela EPCT, Epia, DF-250 (entre Planaltina e Paranoá) e DF-290 (Gama). O DER-DF atua em, aproximadamente, 1.913 km de rodovias em todo o DF, sendo desse total, 1.015 km pavimentados.
Sinalização
Usuário da Epia, o técnico em manutenção John Kennedy Fonseca, 52 anos, critica a falta de iluminação e sinalização na via, principalmente na altura do viaduto que dá acesso à Estrada Parque Guará (EPGU). “Já vi muitos acidentes naquele ponto. Acredito que é necessário colocar iluminação e mais placas para prevenir colisões”, afirmou.
A autônoma Kátia Alves, 42 anos, acredita que a imprudência, tanto de motoristas como de motociclistas, ainda é o principal fator causador de acidentes.
Relatos de imprudência
O empresário Carlos Silvestre, de 58 anos, utiliza a DF-001 todos os dias, na altura do Pistão Sul, em Taguatinga. Segundo ele, a via é bem sinalizada, mas, mesmo assim, já presenciou vários acidentes: “Sempre tem. Os motoristas são imprudentes, furam o semáforo ou querem fazer gatos. O resultado são batidas, muitas vezes fatais”.
Na opinião de Carlos, o problema não é a condição das vias do Distrito Federal, mas os condutores. “Já trabalhei como motorista em vários estados. O DF tem avenidas largas, planas e bem sinalizadas. Os motoristas é que são despreparados. Acredito que existe um problema na formação durante a autoescola. Dirigir aqui no DF se torna mais difícil que em outros estados por causa disso”, afirmou.
Já o comerciário Freire Madeira, de 56 anos, destaca também a irresponsabilidade dos pedestres que atravessam as vias sem olhar para os lados ou em locais impróprios.
Mortes no trânsito
De acordo com Henrique Luduvice, do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), de janeiro a outubro de 2015, comparado com o mesmo período do ano passado, foram registradas 62 mortes a menos – uma redução de 43 óbitos nas rodovias distritais. Além disso, houve 17 mortes a menos nas vias urbanas e duas nas rodovias federais.
“Estamos resgatando os princípios de paz no trânsito e a redução de 62 mortes se dá graças à integração dos órgãos de fiscalização. Entretanto, esse quantitativo ainda não é motivo de comemoração porque ainda morre muita gente nas vias. Queremos alcançar a utopia de zero acidente com morte”, destaca.