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Brasília

Resultado do Enem mostra a desigualdade do ensino

Arquivo Geral

04/10/2016 22h20

Suami Dias

Um retrato da desigualdade de acesso à educação aparece no desempenho das escolas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015. Dos colégios públicos, 91% ficaram abaixo da média nacional; entre os privados, 17%. Em quase seis de cada dez escolas públicas (59%) houve queda na nota do Enem em relação a 2014. Na rede privada, as médias caíram em 53%. O cálculo leva em conta os colégios com médias divulgadas nas duas edições do exame.

O Distrito Federal não foge à regra. Na capital, apenas duas escolas particulares aparecem no ranking das maiores médias do Enem: Colégio Olimpo e Colégio Olimpo de Águas Claras. Em um comparativo nacional com as 100 melhores escolas do país, o número de unidades brasilienses aumenta para três. O terceiro colocado, localizado no 82º lugar no ranking nacional, é o Pódion. Em seguida, em 177º lugar nacionalmente, vem o Galois. E depois, em quinto lugar no ranking do DF, está o Sigma da Asa Sul – 211º do país.

A escola pública do Distrito Federal com melhor classificação é o Colégio Militar de Brasília, que fica em 17ª lugar no ranking local e, em comparação a outras unidades do país, ocupa o 967º lugar.

Considerando o ranking local, das 185 escolas avaliadas no DF, as dez melhores são particulares. Entre elas há algumas características em comum: os alunos das instituições fizeram a maior parte do ensino médio na mesma instituição; a taxa de abandono da escola é zero; os pais estudaram por mais tempo; e, a renda das famílias é alta.

Preparo específico

De acordo com Fábio Pereira de Sousa, subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação, a diferença dos resultados entre instituições públicas e privadas se dá pela forma que o conteúdo é transmitido aos alunos. “As escolas têm um preparo específico, logo temos crescimentos específicos”, diz.

Fábio acredita que as escolas devem ser observadas de acordo com as próprias realidades. “O Enem não tem objetivo de avaliar a qualidade básica das escolas e sim a entrada nas universidades”, completa.

Ainda de acordo com o subsecretário, o Distrito Federal teve um crescimento no ranking de conhecimento nacional. Ele aposta na reformulação do ensino médio, que já está sendo executado na capital. “Se queremos ter resultados diferentes, temos que ter ações diferenciadas”, conclui.

Saiba mais

Criado em 1998, o Enem tem o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica. Podem participar do exame alunos que estão concluindo ou que já concluíram o ensino médio em anos anteriores. Cerca de 500 universidades já usam o resultado do exame como critério de seleção para o ingresso no ensino superior, seja complementando ou substituindo o vestibular.

Cautela na análise dos dados

Os dados do Enem por escola devem ser analisados com cautela para avaliar a qualidade das redes, segundo especialistas. “O que o Enem faz é retratar a desigualdade do Brasil na oferta educacional”, pondera o professor da USP Ocimar Alavarse.

A maior parte das escolas com notas altas são particulares pequenas, que têm a maioria dos alunos “importados” (que migraram de colégio, sem estudar no mesmo local nos três anos do ensino médio). Já as melhores públicas são federais ou colégios técnicos, que selecionam alunos.

Perfil dos estudantes

O perfil dos estudantes é algo em comum entre elas. Das 200 escolas com notas maiores, 180 têm níveis socioeconômicos alto e muito alto – os dois maiores intervalos entre os sete níveis de classificação do Ministério da Educação. O resultado corrobora a tese de que a condição socioeconômica é um dos fatores de peso no sucesso educacional.

Levando em conta a rede pública, a federal tem 36 unidades entre as 100 primeiras. O restante é de escolas técnicas. As redes estaduais concentram 84% das matrículas no ensino médio – a mais bem colocada dessas escolas, no entanto, está só em 1.700º lugar na lista geral do país. Trata-se da escola Gomes Carneiro, de Porto Alegre (RS), que obteve nota superior à média da rede privada.

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