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Brasília

Relatório de Bonifácio de Andrada tenta ampliar base de votos ao isentar Lula e Dilma, avalia Ronaldo Fonseca

Arquivo Geral

11/10/2017 7h00

Ronaldo Fonseca: para ele, seguindo o texto do parecer, o que não vale para o Temer e seus ministros não vale para os ex-presidentes Lula e Dilma, conceito que pode atrair até os adversários do atual governo e amenizar críticas na Câmara. Foto: Cleverson Oliveira / Câmara dos Deputados

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

Ao propor a inocência dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT) no relatório contra a nova denúncia da Procuradoria-Geral da Republica sobre os ombros do presidente Michel Temer (PMDB/SP), o deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB/MG) municiou a base governista com tentador argumento para conquistar o apoio das legendas de esquerda. Esta é a avaliação do deputado federal brasiliense Ronaldo Fonseca (PROS).

Na tentativa de desqualificar as acusações contra Temer, Andrada redigiu uma peça com potencial para blindar outros alvos da Operação Lava Jato. Andrada classificou as investigações como um ataque generalizado à classe política. No texto, o tucano argumentou que nomes do PT também seriam injustiçados. Ao final do relatório, o parlamentar deixou o anzol ainda mais evidente ao dizer que se as acusações não valeriam para Temer, também não seriam aplicáveis contra Lula e Dilma.

“Não é só uma estratégia. É o seguinte: o que não vale para o Temer e os ministros não vale para os ex-presidentes. A procuradoria não conseguiu provar nada. E, politicamente falando, eu acho que é uma estratégia também de inviabilizar uma postura contraria do próprio PT”, ponderou Fonseca. Segundo o parlamentar, o fato da denúncia citar vários nomes além de Temer e os ministros da Casa Civil Eliseu Padilha e secretário-geral da Presidência Moreira Franco será explorado pelos defensores de Temer.

“O (ex-procurador-geral da Republica Rodrigo) Janot é uma pessoa muito competente, mas a pressa fez com que ele facilitasse a defesa, comentou Fonseca. Na avaliação do deputado brasiliense, o relatório de Andrada fez uma análise técnica que aproveitou as supostas falhas na denúncia da PGR. Quatro parlamentares do Distrito Federal participam da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Além de Fonseca, Rogério Rosso (PSD) e Laerte Bessa (PR) tendem a votar com o relator para proteger Temer. Apenas Érika Kokay (PT) deverá votar contra o relatório que beneficia o Planalto.

Até não-membro aparece

Durante a leitura do relatório de Andrada chamou a atenção na CCJ a presença do deputado federal Izalci Lucas (PSDB/DF). Mesmo sem sem membro da comissão, Izalci participou de grande parte da reunião. Aliado do Planalto, Lucas é membro da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) da JBS, criada para blindar o Planalto contra as denúncias da PGR.

Segundo o parlamentar, os temas tratados nas duas comissões estão naturalmente ligados. “Aproveitei para ouvir as colocações do relator e dos advogados do presidente e dos ministros”, contou. No começo dos trabalhos da CPMI, o deputado alegou que surgiram graves indícios de irregularidades nas acusações contra Temer.

Desde o começo do escândalo a maior parte da bancada brasiliense fechou fileiras com o Planalto. Ao lado de Érika Kokay, apenas Augusto Carvalho (SD) vota contra Temer.

Coincidentemente, os aliados do Planalto vêem recebem cada vez mais emendas parlamentares, seja pelo empenho ou pagamento de fato. Considerando restos a pagar de anos anteriores, Izalci recebeu R$ 8.8 milhões em empenho e R$ 10.1 pagos. Fonseca teve R$ 5.5 milhões empenhados e viu o pagamento de R$ 2 milhões. Kokay, por outro lado, teve empenhados R$ 2.2 milhões e recebeu efetivamente R$ 2.2 milhões.

Saiba mais

As emendas parlamentares são impositivas. No entanto, o governo pode controlar o tempo para a liberação dos recursos.
Os parlamentares governistas negam qualquer relação entre a liberação das emendas e suas posições políticas no Congresso.
No relatório, Andrada alega que Executivo e Legislativo estão fragilizados na divisão de poderes.

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