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Brasília

Reitoria impede vandalismo em gabinete do reitor

Arquivo Geral

13/09/2011 14h30

Cerca de 400 estudantes ocuparam o salão de Atos e a antessala da Reitoria no fim da manhã desta terça-feira (13). Ao chegar na entrada do espaço, um grupo pequeno começou uma discussão, que acabou em quebra-quebra e violência entre alunos que não estudam na UnB Ceilândia, seguranças, assessores e decanos. Uma parede de madeira que separa o local de trabalho dos assessores do gabinete e o hall de entrada foi derrubada.

Ao perceberem que a situação fugiu do combinado, estudantes da UnB Ceilândia e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) começaram a pedir pelo fim da violência. Diante da confusão, houve discussões sobre o que fazer: não sabiam se seguiam para o Salão de Atos, onde integrantes da Reitoria já estavam aguardando para negociar, ou se aceitavam a proposta de outros alunos e tentavam novamente invadir o gabinete do reitor José Geraldo de Sousa Júnior.

A maioria dos estudantes foi para a sala de reuniões. Outros 13 ficaram na antessala do gabinete, em protesto. Eles reivindicam a conclusão do campus e uma reunião com o reitor, o secretário de Obras e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. O GDF é o responsável pela construção dos dois blocos de salas de aulas e laboratórios.

DISCUSSÃO – O pequeno grupo de estudantes que radicalizou a manifestação era formado, em sua maioria, por integrantes de organizações políticas como a Corrente Classista Independente (CCI) e o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR).

Alunos da UnB Ceilândia pediram o fim da violência e diálogo pacífico com o reitor no Salão de Atos. “É a terceira vez que viemos aqui e até então tudo tinha dado certo. Tem grupos que estão querendo participar do movimento da forma errada”, disse Mariana Silva, aluna de Terapia Ocupacional. “Bater em funcionário não dá. Eu vi”.

Professores que participam do protesto também repudiaram a violência. “Um grupo quis entrar à força. Não dá para evitar as pessoas que querem se aproveitar do movimento para levantarem um luta política distinta. Nosso foco é outro”, afirmou o professor Edgard Bione, do campus de Ceilândia.

Bandeiras que carregavam o símbolo do MEPR acabaram usadas como arma. “Eles usaram os mastros para machucar os seguranças. Até uma amiga minha ficou machucada”, disse Raylayne Bessa, estudante de Saúde Coletiva.  A aluna explica que, durante a organização do protesto, foi decidido que os homens ficariam à frente para prevenir qualquer tumulto. “Os seguranças nos impediram de entrar, sem violência, apenas mantendo o corpo firme para que não ultrapassássemos a porta. O problema é que começou um empurra-empurra. A gente não queria briga”, disse.

Jonatas Moreth, um dos coordenadores do Diretório Central dos Estudantes (DCE), afirma que a diversidade política entre grupos é bem-vinda. “Isso até amplifica a força da democracia”, disse. Segundo ele, o problema é quando grupos distintos a um movimento principal decidem tomar ações que não foram discutidas por seus pares. “Entendemos que todos os atos devem ser debatidos e votados. Não foi o que aconteceu. É anti-democrático tomar para si uma postura que não foi aceita pelos demais”, afirmou.

Durante a confusão, um dos estudantes que carregava uma bandeira do MEPR insistia com alunos da UnB Ceilândia que era preciso ocupar o gabinete à força e que a violência era apenas uma resposta. “Eles não deixaram a gente entrar. Não podemos cair no discurso vendido do DCE e da Reitoria”, afirmou o estudante que preferiu não se identificar. 

 

 

Confira a Carta Reivindicativa dos estudantes e CAs da Faculdade de Ceilândia – UnB à Reitoria da UnB:

1. Pelo rompimento imediato com a construtora Uni Engenharia de forma jurídica. E que nos sejam apresentadas garantias legais de não participação do novo processo licitatório.

2. Por um contrato emergencial após o término do contrato com a atual empresa Uni Engenharia, para o término da construção do prédio UAC.

3. Que as obras no UAC aconteçam em dois turnos, diuno e noturno, garantidos no edital de licitação para o novo contrato para o término do prédio.

4. Que a UnB seja reponsável pelo custeio de materiais necessários para conclusão do prédio UED e o compromisso com a data de entrega.

5. Que nos seja apresentada uma cópia do contrato que estabelece que os dois prédios, UAC e UED, são de responsabilidade do GDF.

6. Pela entrega do prédio MESP na data prevista, com duplicação do efetivo de trabalhadores na obra e aumento da carga horária para dois turnos.

7. Revitalização imediata em volta do campus definitivo com a retirada do lixão.

8. Pela urbanização do estacionamento ao lado de fora do campus provisório e garantia de segurança do mesmo.

9. Pela aquisição imediata de novas mesas e cadeiras.

10. Pela não abertura de nenhum outro curso de Graduação, Especialização, Pós-Graduação, Mestrados ou Doutorados. E não aumento do número de vagas dos cursos já existentes na FCE enquanto os prédios UAC, UED e MESP não estiverem em pleno funcionamento.

11. Pela oferta da disciplina de Libras no Campus da FCE no 1° de 2012, fora do horário de almoço.

12. Que a quantidade de funcionários definidos pelo comitê de ética da greve dos servidores contemple todos os campi.

13. Por uma assistência estudantil ampla e digna que atenda as necessidades dos estudantes:

– A construção da Casa do Estudante Universitário na proximidade dos Campi. Enquanto não for construída, que a UnB se responsabilize pelo aluguel de casas nas proximidades do campus destinadas aos estudantes.

– Total apoio do corpo docente da direção em relação às atividades estudantis e aos atos prol da melhoria das condições da FCE.

-Que as atividades acadêmicas sejam paralisadas enquanto houver permanência dos estudantes na reitoria. 

Exigimos uma reunião imediata com o Reitor da UnB, secretário de obras do GDF e governador Agnelo Queiroz, assistida pelo MPF, PG da República(oficialmente), juntamente com os professores e estudantes da Faculdade de Ceilândia para que nos sejam apresentadas garantias legais e jurídicas de cada ponto desta carta.

Carta aprovada em assembléia estudantil e pelos CAS da Faculdade de Ceilândia da Universidade de Brasília.

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