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Brasília

Reforço para combater a dependência química

Arquivo Geral

17/01/2011 7h35

Marina Marquez
marina.marquez@jornaldebrasilia.com.br

 

O Distrito Federal será a primeira unidade da Federação a ganhar um hospital materno-infantil da Rede Cegonha, do Governo Federal. Esse, segundo o secretário de Saúde do DF, Rafael Barbosa, é o primeiro “presente” que o governo Agnelo dará à população. O hospital com atendimento humanizado será construído como um bloco do Hospital Regional de Ceilândia e deve atender toda a população do DF. E, segundo ele, esse não é o único projeto do Ministério da Saúde que será instalado na capital federal rapidamente. O DF também terá, custeado pelo MS, cinco leitos de internação em todos os hospitais da rede para tratamento de pacientes viciados em crack. Ao aceitar assumir a Saúde do DF, o ex-diretor do Hospital de Base e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não imaginava que a situação que encontraria era de total calamidade, como ele mesmo diz. Hospitais sem estrutura física, equipamentos quebrados sem manutenção há meses, filas de espera para cirurgias, problemas na internação das UTIs, entre várias outras coisas. No entanto, a crise está com dias contados, segundo ele. “Em 90 dias a Saúde no DF já terá outra cara”.


Qual a situação mais crítica que o senhor encontrou ao assumir a Secretaria de Saúde?

O mais crítico é a situação física dos hospitais da rede. A cena do Hospital Regional do Gama (HRG) foi a mais marcante de todas. Você entrar em um centro cirúrgico e, durante uma cirurgia, uma cesária, uma goteira pingando é demais. A entrada do centro cirúrgico toda mofada. Isso tudo foi uma cena muito chocante, tanto para mim quanto para o governador. Não imaginávamos que a gravidade da situação chegava a esse ponto de estrutura física. No Gama a gravidade era tanta que foi tomada a decisão de que aquele hospital só terá coisas paliativas e construiremos um novo. Os outros hospitais também têm problemas estruturais, mas que com algumas medidas podem ter o atendimento melhorado. Também visitamos a Farmácia Central, onde é deprimente a situação com relação à  estrutura, não tem a mínima condição de armazenar qualquer produto.

 

Hoje lá é um grande depósito, largado, sem controle de qualidade algum, sem saber que tipo de medicamento estamos oferecendo para a população. Outro problema angustiante é a questão da assistência farmacêutica. Se falava que a rede estava abastecida, mas não está. Falta todo tipo de medicamento, oncológico, insulina, cada dia um novo produto. Além do sucateamento de equipamentos. Em Ceilândia, por exemplo, temos um mamógrafo que faz cerca de 900 exames por mês e está parado há nove meses. Temos onze tomógrafos na rede, quatro deles parados há mais de seis meses por falta de manutenção. É um desmando, descaso total. Ninguém estava nem aí para nada. E só teria como dar nisso, a revolta total da população e um atendimento de baixíssima qualidade.

 

 

No HRG o senhor e o governador anunciaram a construção do novo hospital. Já existe um projeto, quanto ele custará, onde será? Outras cidades também ganharão novos hospitais?

Outros não. No Gama faremos um novo hospital para a população e já temos mais ou menos a área em vista, precisamos estudar agora o modelo. Se faremos parceria público-privado ou o que será, mas já está definido que o Gama terá um novo hospital. Não faremos obras mais naquele hospital, apenas o que estará em andamento e coisas emergenciais. Aquele local não terá mais essa destinação. O projeto básico será o de Santa Maria, um hospital moderno, mas com capacidade ampliada. Em Santa Maria são 380 leitos, para o Gama precisamos em torno de 450 ou 500 leitos, que é a capacidade do hospital hoje. Mas uma construção com concepção moderna.

 

 

Em quanto tempo a situação de emergência, a grande crise da Saúde, deve ser solucionada?

 

É complicado estabelecer prazos, mas o compromisso do governador é que em 90 dias a Saúde terá uma nova cara. Estamos em estado de emergência por 180 dias, mas esperamos que em 90 dias os resultados já apareçam. É tempo de abastecer a rede, atender e acolher melhor. O nosso grande desafio é tirar das emergências o que não é emergência. E para isso temos duas estratégias. Primeiro, a Saúde no DF passará a ter uma nova assistência. Hoje, é o modelo hospitalocêntrico, tudo que você tem você corre pro hospital. É o que leva 80% dos atendimentos para a emergência, quando eles não deveriam ser lá, deviam ser resolvidos na porta de casa, com o Saúde da Família. Então, a estratégia do governo é fortalecer a atenção básica à Saúde. E, nesse contexto, a outra estratégia que são as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Hoje temos uma rede prevista de 14 UPAs para o DF. Já temos quatro prontas e as outras a construir. Mas as quatro prontas passarão por reforma. São UPAs que foram entregues, pagas, sem estarem prontas. Têm goteira, vidros quebrados, a área externa de pavimentação por fazer, sem mobiliário, sem alambrados, jogadas ao relento. Em Samambaia já temos 150 pessoas trabalhando e, ou no fim do mês ou na primeira quinzena de fevereiro, vamos inaugurá-la. E logo começaremos a construir as outras UPAs.

 

 

O que as UPAs devem modificar no atendimento aos pacientes?

 

A UPA que estamos inaugurando é a de tipo 3. Ela fará atendimento de clínica médica, pediatria e traumato-ortopedia. Ela permite fazer 500 concultas/mês. E são 500 consultas que se está tirando das emergências dos hospitais, que hoje têm condições subumanas de atendimento, onde a população está submetida ao que pior existe de atendimento médico. Sobrecarga de trabalho para o profissional, um atendimento nada humanizado. E a estratégia da UPA é dar um alívio e só mandar para o pronto-socorro quem realmente precisa de pronto-socorro. Imagine, por exemplo, um hospital como o de Ceilândia que tem mil atendimentos mês e você tirar a metade deles. E a UPA tem uma capacidade de resolução muito grande, a média hoje de encaminhamento para hospital é de menos de 1%. Isso significa que 99% das pessoas que vão para a  UPA resolvem lá mesmo o problema.

 

 

Em quanto tempo todas as 14 UPAs devem estar concluídas?

 

Nosso desafio e cronograma é que nos seis primeiros meses de governo todas sejam entregues. As UPAs têm uma estrutura de construção muito rápida, dependendo da organização, em 45 dias a estrutura fica pronta. Além disso, outras 20 Unidades Básicas de Saúde vão ser construídas. Essas unidades são postinhos que abrigarão as equipes do Saúde da Família. Hoje, as equipes ficam ao relento na rua ou então em casas alugadas, sem estrutura. Ele terá um quadro básico, um consultório.

 

 

 

 

Leia mais na edição desta segunda-feira (17) do Jornal de Brasília

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