Kamila Farias
kamila.farias@jornaldebrasilia.com.br

Nem sempre os motoristas concordam com as multas emitidas pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF). Nesse caso é necessário recorrer às Juntas Administrativas de Recursos de Infrações (Jari), que estabelecem 30 dias para julgar o caso. No entanto, condutores que entraram com o recurso dizem que nem sempre esse prazo é respeitado.
De acordo com o servidor público João Farias, seu recurso demorou mais de seis meses para ser julgado. “Passei por um pardal acima da velocidade da via. Naquele dia eu estava levando minha filha ao hospital, que estava passando muito mal. Muita gente deve usar esse tipo de desculpa para se livrar das multas, mas no meu caso, foi verdade. Então, me incluíram no pacote das desculpas e negaram meu pedido depois de eu esperar por tanto tempo”, relata Farias.
O administrador Gallis Abreu também recorreu à Jari e, segundo ele, a resposta foi dada no último dia do prazo e só ficou sabendo porque foi buscar a decisão. “Eu tive de ir atrás, pois nem uma carta eles mandam, informando do parecer, e nem dizem qual motivo pelo qual o recurso não foi aceito. Não sei porque tem esse serviço, pois ele nunca atendem nossos recursos. A meu ver, a lei não é muito clara. Estatisticamente, só cerca de 10% dos recursos são aceitos”, afirma.
Para Abreu, esse sistema deve ser revisto. “Já trabalhei na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), no setor de multas e conheço o sistema. Sugiro uma revisão na norma e até a troca de funcionários, pois acho que eles nem olham mais os recursos, apenas copiam de outro e colam”, avalia.
Segundo o administrador, uma das multas à qual recorreu foi dada na EPTG e ele reclama da má sinalização na região. “Lá é uma bagunça. Tem sinalização de um lado da via indicando que a velocidade máxima é de 60 quilômetros, mas depois aparece outra placa com 80 quilômetros e novamente para 60. A gente não sabe qual é exatamente a velocidade permitida, e por isso levei uma multa”, explica.
Leia mais na edição impressa desta quarta-feira (14) do Jornal de Brasília.