Não há mais dúvidas sobre a origem da mancha de óleo no Lago Paranoá: a substância veio do pátio do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em decorrência do vazamento de uma caldeira. Após um acidente parecido ocorrido no ano passado, a Secretaria de Saúde recebeu multa de R$ 63 mil, que até hoje não foi paga. Este ano, devido à reincidência, o valor será de pelo menos R$ 250 mil.
A caldeira serve para aquecer toda a água utilizada para a esterilização e lavanderia. Em cima dela há uma coluna por onde sai o vapor, como uma espécie de chaminé, e foi ali que ocorreu o dano que provocou o vazamento. “Como o pátio da caldeira estava impregnado, o vapor lavou o pátio, a caixa de contenção não conseguiu suportar e vazou para a galeria de águas pluviais”, explicou secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Eduardo Brandão, em pronunciamento no final da noite.
Solução paliativa
Para conter o vazamento temporariamente, a Secretaria de Meio Ambiente vai criar uma caixa separadora de óleo maior. Isso porque, de acordo com Eduardo Brandão, o hospital não pode funcionar sem a caldeira e não seria viável interditá-lo. “Aquele equipamento já era para ter sido trocado há mais tempo. Temos a informação de que a Secretaria de Saúde, no ano passado, já havia aberto processo de compra para uma nova caldeira. Enquanto isso, devemos bolar um plano B”, conclui.
Junto aos resultados laboratoriais, a Caesb informou que a qualidade da água no local próximo ao Iate Clube foi prejudicada e não recomenda a utilização daquela área do lago. Além disso, uma faixa de 200 metros está sendo monitorada pelos bombeiros e pela polícia, na qual embarcações não podem se aproximar, para que a marola não espalhe mais a mancha.
Inclusive, na manhã de ontem, surgiu uma possível nova mancha de óleo na altura do 1º Batalhão de Busca e Salvamento. No entanto, o coronel do Grupamento de Proteção Ambiental, Alan Alexandre Araújo, garantiu que é apenas um desmembramento da mancha que tomou conta do lago na última quinta-feira.
Recuperação pode levar 15 dias
A limpeza do lago teve continuidade ontem. A Secretaria de Saúde terá que arcar com esses custos. O lago deverá estar em condições de uso em aproximadamente 15 dias. Uma equipe do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) fez uma varredura por terra nas margens para detectar possíveis pontos de despejo de óleo. Como nada foi encontrado, nova busca foi feita pela água.
Uma tartaruga, dois pássaros e uma ave marinha foram encontrados completamente cobertos de óleo. Os bichos foram entregues ao Ibama.
Os bombeiros e a Transpetro, empresa ligada à Petrobras, colocaram barreiras para absorção e contenção do óleo. João Bosco, supervisor da estatal, explicou que a ideia é direcionar o óleo para a margem do lago, onde equipamentos próprios vão retirá-lo e despejá-lo em barris a serem recolhidos e descartados pelo Serviço de Limpeza Urbana.
Versão Oficial
A reportagem do Jornal de Brasília procurou a Secretaria de Saúde para obter um posicionamento oficial a respeito do problema, e saber quais as providências que serão tomadas diante do dano provocado pelo Hran. No entanto, a pasta preferiu não se pronunciar a respeito do assunto.