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Rapper brasiliense representa a cena regional no Prêmio Profissional de Música

Mano Dáblio ganhou neste mês de novembro na categoria de criação/hip hop. A premiação de nível nacional foi retomada neste ano e teve grandes nomes da música nacional brasileira em várias categorias, como Gilberto Gil e Chico César

Foto: Fábio Alexandre

Amanda Karolyne
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Como representante da cena de Hip Hop do Distrito Federal, principalmente do Guará, Mano Dáblio ganhou neste mês de novembro o Prêmio Profissional de Música (PPM) de primeiro lugar na categoria de criação/hip hop. A premiação de nível nacional foi retomada neste ano e teve grandes nomes da música nacional brasileira em várias categorias, como Gilberto Gil e Chico César. O poeta, letrista, transformista, ritmista de seus versos, e artista independente Mano Dáblio entra para o rol dos vencedores da 6ª edição do PPM.

A premiação teve como slogan “Do Analogio ao Digital, Viva o Direito Autoral”, e “De Brasília Para o Mundo”, foi realizada on-line para não ficar mais um ano sem poder acontecer. Foram mais de 105 categorias que reconhecem até os bastidores da indústria musical brasileira.

Foi a primeira vez que o músico Mano Dáblio se inscreveu para participar de uma das premiações mais importantes da indústria da música brasileira. Inicialmente ele estava inscrito nas categorias: Autor/letra e música; videoclipe; e intérprete de hip hop. O processo de seleção para a PPM tem três etapas, sendo a primeira a votação entre os artistas; depois vem o júri popular; e por último, o júri técnico. Mano Dáblio cita com muita honra, alguns artistas que já ganharam a mesma categoria que ele em outras edições, como Renan Inquérito, Rashid e Rincon Sapiência. “Rashid é muito parceiro de Emicida e Projota, artistas que eu admiro e respeito muito o trabalho, assim como todo o Brasil respeita e conhece”, destaca. Para ele, ganhar a categoria que esses nomes também já ganharam é muito importante.

Foto: Fábio Alexandre

Mano Dáblio acredita que esse prêmio já está dando visibilidade ao seu trabalho e ao cenário artístico do centro-oeste. A visibilidade a nível nacional já começou para ele desde a etapa em que os artistas votavam entre si. “Agora os artistas e as pessoas envolvidas na premiação sabem que eu existo”, comenta. Ele já teve outras oportunidades de se apresentar em outros lugares, cita a Argentina como exemplo, mas sempre foi um artista do Distrito Federal. Para ele, a premiação é forte para ajudar a impulsionar a carreira. “Mas acho que o principal, é que ter ganhado esse prêmio, muda a rota de quem ganha, que de modo geral em qualquer premiação é sempre do eixo Rio/São Paulo. Então é uma luz que vem para mim, mas que reflete para o rap da região”, indica.

Como a premiação foi virtual, o prêmio foi entregue a Mano Dáblio no dia 11 de novembro das mãos do coordenador e idealizador do PPM, Gustavo Vasconcelos. “Mano é um artista dedicado, legítimo e se destaca por ser verdadeiro com sua arte, fiquei muito feliz que ele tenha ganhado e torço para que este prêmio colabore para impulsionar a sua carreira”, aposta Gustavo. O rapper acredita ser um cara abençoado e cercado de pessoas que, mais que amor, compartilham aprendizados e vivências e, por isso, “me ajudam a pensar, refletir e buscar ser um humano melhor”, ressalta. A eles e elas, Mano deixa o recado, “não espere seu nome nos versos, mas, quando me ouvir, você pode estar lá nos momentos que te remetem a alguma lembrança ou sentimento”, sugere. Ele prestou homenagem póstuma ao dedicar, nominalmente, o prêmio aos amigos Ernesto Swartele e Ricardo Retz, “que não estão entre nós na forma física, mas são pra mim tão Imaterial quanto nossa arte. Eles fazem parte dessa história”, destaca.


Os projetos para o final desse ano envolvem o lançamento do videoclipe, que deve sair em dezembro, além de seguir produzindo e agora, com o Prêmio, buscar mais espaços para se apresentar e fazer contatos com curadores Festivais a fim de mostrar sua música e cavar participações. Para 2022, o artista dará continuidade a seus projetos como o Imaterial, que evidencia a força do rap periférico e da poesia marginal ao reunir artistas das periferias do Distrito Federal e Entorno. E prevê a continuidade do Surdo Cinema, festival de capacitação de pessoas Surdas como agentes culturais na produção e criação de filmes.

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Ele tem vinte anos de carreira, mas conta que só começou a produzir mesmo com 17 anos na profissão. “Porque não é fácil para quem é artista independente, é muito caro produzir e gravar um álbum, ainda mais para quem assim como eu, é da periferia”, desabafa. “A gente tem que escolher entre comer e morar, ou gravar uma música”. Sua história de vida de morador de rua, para orfanatos e depois a procura de sua família, em que as vezes ele teve de priorizar outras coisas além da música. “Trabalhei com outras coisas, mas nunca parei de cantar, sempre na música”. E então, quando conseguiu, ele produziu suas obras, mas com a realidade da indústria dos streams, ele tem priorizado lançar singles nas plataformas digitais no lugar de álbuns físicos.

Foto: Fábio Alexandre

Ele já foi intérprete de libras, então em seus trabalhos sempre procurava envolver essa comunidade. Com clipes em libras e trazendo isso para seus shows também. “Eu tenho um público de pessoas surdas, tenho que pensar neles”, aponta. “Mas não é só uma maneira de representar, mas meu trabalho é colocar a linguagem de sinais como parte da obra”, frisa.

Com o nome artístico Mano Dáblio, William de Souza Tomaz, 35, conta que a primeira vez que foi se apresentar, queria um nome diferente para que as pessoas o conhecessem. “Então minha amiga me sugeriu Mano W, mas eu queria a letra mesmo”, conta. E então o poeta e rapper, veio aos poucos se inserir no cenário da música que ele acredita se tratar de uma arte tanto de revolução, quanto de terapia. “A música e a poesia são antibióticos para você se sentir melhor”, afirma. Ele até brinca que ‘menos com menos dá mais’ ao falar que quando as pessoas estão tristes, elas procuram escutar músicas mais tristes ainda. Mano Dáblio diz que canta sobre os sentimentos dele, que ao expor se tornam os sentimentos das pessoas que se identificam com o que está em suas letras.


Além do PPM, Mano Dáblio coleciona os prêmios Estúdio Social, em 1º Lugar; e Palco Live, também em 1° Lugar, ambos neste ano de 2021. Em 2020, levou o Gran Circular – Aldir Blanc e o Estúdio Social, tendo ficado em 3º Lugar.

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