Maria Eugênia
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A quatro dias de deixar o Palácio do Buriti, depois de um mandato tampão de oito meses, o governador Rogério Rosso (PMDB) deixa claro que sua gestão foi marcada pela ação e não pela promoção. Ele diz que optou pela discrição por respeito ao momento que a cidade passou, ameaçada, inclusive, de uma intervenção federal. Mas nem por isso, esclarece, deixou de fazer coisas importantes pela cidade. Traz debaixo do braço uma lista extensa de medidas adotadas (veja na página ao lado) e ressalta que foram tempos “extremamente difíceis”.
Principalmente, porque coube a ele a tarefa de manter os serviços públicos em funcionamento e a continuidade de obras que sequer dinheiro previsto tinham. Ao receber o Jornal de Brasília para uma entrevista exclusiva e, como ele mesmo disse, “abrir seu coração”, destacou que herança maldita, expressão utilizada pelo governador eleito Agnelo Queiroz (PT), semana passada, ao fazer um diagnóstico do GDF, é pouco para o que ele encontrou quando assumiu. E encerra sua gestão de cabeça erguida: “Entrego um Distrito Federal para o meu sucessor melhor do que eu recebi”.
Como avalia a sua gestão?
Foram oito meses onde nós não tivemos tempo para a transição, não tivemos temos para analisar as contas do governo de uma forma preliminar. Eu assumi uma postura pessoal de não ficar reclamando do passado e sim procurar num curto espaço de tempo (levando em consideração ser um ano eleitoral e, portanto, com limitadores de gastos) e com um orçamento apertado fazer a máquina funcionar. Foram oito meses extremamente difíceis, onde foi preciso agir para não deixar o serviço paralisar.
Pode citar um exemplo de serviço que estava ameaçado?
Um exemplo clássico é a questão da saúde. Tínhamos uma rede de saúde absolutamente desabastecida, que precisava funcionar. O Detran, que teve problemas de manutenção, de itens básicos, entre outros tantos órgãos. Então, foram oito meses de muito trabalho, em que eu não governei para holofotes. Até recebi muitas críticas por isso, por não fazer muita propaganda das minhas ações, mas acho que o momento não era para isso, mas sim garantir a funcionalidade do governo do Distrito Federal e a manutenção de suas instituições. Carregamos o que pudemos carregar. Tudo isso para entregar um Distrito Federal para o meu sucessor melhor do que eu recebi.
Sem herança maldita?
Olha, se o futuro governo fala que vai receber uma herança maldita, eu não sei como qualificar aquela que nós recebemos. Porque ele (Agnelo Queiroz) teve uma transição transparente, pode fazer um diagnóstico do governo e teve a oportunidade de fazer um orçamento dentro do seu planejamento. Coisas que nós não tivemos.
Tem uma certa mágoa…
Mágoa não. Acho que o Distrito Federal passou por um momento tão sério e eu procurei fazer uma administração sem perseguição, sem ódio. Pelo contrário. Todo gestor que entra vai perceber a dificuldade que é comandar o Distrito Federal. Que os recursos orçamentários são limitados. As pessoas se esquecem que nós assumimos um governo em andamento, cujos programas foram definidos não por nós, que as obras foram planejadas e iniciadas não por nós. Nos coube evitar que isso tudo parasse. E se parasse, qual seria o prejuízo? Por isso, instituímos um comitê gestor de obras para priorizar aquelas dentro do orçamento existente. Sim, porque não tinha dinheiro para terminar todas elas. As pessoas têm que saber disso.
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