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Brasília

Quem mais precisa não tem vez

Arquivo Geral

22/08/2013 8h58

O Distrito Federal tem um deficit de atendimento de 1,5 milhão de pessoas no sistema público de saúde, segundo estimativas da Secretaria de Saúde. Em 2012, foram mais de sete milhões de atendimentos de urgência e emergência em Brasília e na Região Metropolitana do DF, que inclui cidades de Goiás e de Minas Gerais, nas 59 unidades da secretaria, entre hospitais, unidades mistas, centros de referência e centros de Atenção Psicossocial (Caps). Nos três primeiros meses deste ano, os atendimentos já ultrapassaram 2,4 milhões, de acordo com dados do resumo dos serviços médico-hospitalares da pasta.

 


Uma das principais deficiências da saúde no DF está na falta de leitos. Hoje, há menos leitos disponíveis que no ano passado. Dos atuais 4.375, 188 estão bloqueados, o que anula os 29 leitos abertos entre 2012 e 2013. Este ano foram, do total de atendimentos entre janeiro e março, 44,6 mil internações, 18,2 mil cirurgias, 418,2 mil exames radiológicos, 4,3 milhões de exames patológicos e 418,2 mil exames de imagem.

 

A espera é longa

 

Os hospitais de Base, de Taguatinga, Ceilândia, Gama e Planaltina, somados, fizeram 25% de todos os atendimentos na rede pública nos três primeiros meses de 2013 (603,6 mil). O de Taguatinga foi o que recebeu mais pacientes no período (136,5 mil), seguido pelo de Ceilândia (134,8 mil) e pelo Hospital de Base (129,2 mil).

 

No caso do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), a expectativa para o atendimento de um paciente que chega por volta das 8h, sentindo dores, mas sem risco iminente de morte, é na madrugada do dia seguinte, segundo denunciam funcionários. Há poucos médicos para tanto atendimento. Em alguns casos, atendentes orientam o paciente a ir à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) para ser examinado mais rapidamente.

 

O coordenador-geral de Saúde de Taguatinga, Otavio Rodrigues, explicou que há, em média, três ou quatro médicos na emergência, dependendo da especialidade e do turno. Em relação à demora para o atendimento, ele informou que as consultas são feitas de acordo com a classificação de risco. E destacou que a quantidade de pacientes que precisam de atendimento primário é muito grande.

 

A ambulante Maria Odete,  58 anos, estava em busca de atendimento para o marido, João de Souza, 62,  que sentia fortes dores na barriga. Ela  afirma que domingo  foi  ao Hospital do Guará, mas não tinha médico. Na segunda-feira, eles foram ao Hospital   de Ceilândia, que também não tinha médico, então voltaram para casa. Na terça-feira, voltaram a  Ceilândia, onde finalmente conseguiram atendimento depois de uma espera de cinco horas. “Mas as dores voltaram e viemos aqui para Taguatinga. De qualquer forma, a demora é muito grande”, diz Odete.

 

Horas de espera

 

A comerciante Lourdes da Costa, 58 anos,   diz que estava esperando há duas horas no HRT, sentindo dor nas pernas. “A moça da triagem me tratou muito mal. Falou que eu tinha que esperar porque se já tem dois meses que estou doente, eu poderia esperar mais”, relata.  

 

 O filho de Gardênia Maria Barros, de três anos, estava com febre. Ela já esperava há três horas. “Quando fui levá-lo para a escola, ele estava se contorcendo de dor. Estou aqui à espera, eu e outras mães”, diz, queixando-se do tratamento.

 

Saiba Mais

 

No Hospital Regional de Taguatinga, em enfermarias de doenças infecto-contagiosas, onde os pacientes deveriam ficar em isolamento, chegam a ser colocadas seis pessoas em um mesmo espaço físico.

 

Além da falta de médicos, as reclamações no HRT se estendem para a falta de leitos e materiais hospitalares básicos.  O coordenador da unidade de Taguatinga disse que estão sendo feitos investimentos na manutenção e na troca de equipamentos.

 

No Hospital Regional do Gama não tem unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal, sendo que são feitos mais de cinco mil partos anualmente no local.

 

Demora e falta de informação

 

No Hospital Regional de Ceilândia (HRC), a situação também é precária. Muitos pacientes se irritam com a falta de informação sobre os horários dos médicos e com a demora para triagem e atendimento. No local desde às 7h da manhã, Rosa Guedes, 33 anos, foi informada somente por volta das 11h que o dentista que estava aguardando só chegaria às 14h. 

 

A espera por atendimento também é longa. O funcionário público Elizion Moreira levou a sobrinha ao hospital porque ela estava com febre e vômito. “Esperamos por cerca de quatro horas para que ela fosse atendida”, conta. 

 

A estudante Érica Rodrigues, 18 anos, conta que o atendimento no HRC é sempre demorado. “Tive uma infecção alimentar e cheguei a esperar por duas horas e meia. É muita coisa para quem está sentindo dor”. Ela relata que já teve uma discussão com o enfermeiro que foi aplicar-lhe uma injeção: “ele disse que se eu ficasse reclamando demais ele sairia daqui e deixaria todo mundo esperando”,  conta.

 

Precariedade


Nos corredores da emergência, os pacientes ficam deitados em macas sujas, sem lençóis, em meio ao mau cheiro, aguardando atendimento por horas. Os leitos dos casos de urgência se confundem com os de pacientes internados, cujas macas são separadas por divisórias de tecido presas em estruturas metálicas enferrujadas.

 

Possível solução

 

A coordenadora-geral de Saúde do hospital, Lucimar Costa Zero, informou que a Secretaria de Saúde está trabalhando para a ampliação e a modernização das unidades, com investimentos em camas eletrônicas, macas novas e modernas. Ela informou que há previsão de reforma do pronto-socorro. Em relação à demora de atendimento, a coordenadora explicou que o hospital já conta com a ajuda de recepcionistas para auxiliar na prestação de informações aos pacientes. Segundo Lucimar, espera-se que o fluxo para o hospital diminua com a inauguração de uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) na cidade, até o final do ano, e de três clínicas da família. 

 

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