Da Redação
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Desafiando os planos iniciais de Lucio Costa para Brasília, projeções de um pavimento extra surgem nas quadras comerciais. Na última semana, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) manteve o título de Patrimônio Cultural da Humanidade para Brasília, mas uma série de recomendações deverão ser cumpridas até 2013. Entre elas, está o respeito e manutenção dos padrões de construção da sede nacional dos três poderes. Um princípio que, provavelmente, passa longe dos “esticadinhos”.
Na tarde de ontem, o Jornal de Brasília percorreu várias quadras em busca destas projeções. No final da Asa Norte, na altura das 700, é possível observar dezenas de esticadinhos. Sem qualquer tipo de organização, as projeções fogem ao padrão arquitetônico das comerciais. E no espaço em que deveria haver livre visão do céu da capital, concreto, telhas e vidros estão presentes. Na maioria dos andares extras, é possível ver varais repletos de roupas para secar.
A comerciante Sônia Maria Soares, 39 anos, é moradora de um esticadinho. Ela conta que quando comprou o imóvel, em 2004, não recebeu nenhuma ressalva, tendo ainda a ajuda de banco público no financiamento. Apenas depois da compra, fiscais da Agência de Fiscalização do DF (Agefis) foram conversar sobre o imóvel, avaliado em R$ 89 mil.
“Se soubesse, não compraria. Mas agora vou lutar para ficar”, comentou. Atualmente, ela mora no imóvel de dois pavimentos com os dois filhos. A reportagem tentou entrevistar proprietários e moradores da região, mas não teve resposta. Seguindo para a entrequadra 404/405 Norte, há outra projeção. Mais uma vez, a reportagem tentou conversar com os proprietários e os locatários, mas eles não quiseram se pronunciar. Na QI 12 do Lago Sul, salta aos olhos outro esticadinho. A reportagem procurou algum responsável pelo imóvel, mas não encontrou.