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Brasília

PT engrossa para o lado de Rollemberg

Arquivo Geral

09/05/2017 7h00

Atualizada 08/05/2017 23h10

Fotos: Valcir Araújo/PT DF

Millena Lopes
millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br

Quando a deputada federal Erika Kokay (PT) foi anunciada presidente do partido no DF, os gritos de “Fora, Temer” e “Fora, Rollemberg” foram sonoros. No primeiro discurso, ela defendeu o diálogo e a firmeza partidária e deu o tom de como o partido deve se posicionar: como oposição aos “desmontes de direitos promovidos pelos governos de Michel Temer e de Rodrigo Rollemberg”. Na Câmara Legislativa, o partido é tido como aliado da atual gestão no DF e diz-se, desde sempre, que há petistas empregados em cargos estratégicos e indicados até hoje por petistas. Na “era Erika”, a coisa promete ser diferente.

O tom, daqui em diante, deve mesmo engrossar, na opinião do deputado distrital Ricardo Vale (PT), líder do partido na Câmara Legislativa. “É natural que o partido, em se apresentando como alternativa para as eleições, aumente as críticas ao governo. Na Câmara, ele diz, é “evidente” que a sigla continue na oposição, “como já vez fazendo”. Mas, na opinião do deputado, o objetivo do PT, neste momento, deve ser reorganizar as estruturas internas e apresentar um programa como alternativa para as eleições de 2018. “Eleita quase que por unanimidade, a deputada Erika vai ter a responsabilidade de organizar o partido e mantê-lo unido até a eleição de 2018”, aponta o petista.

Para ele, é preciso fomentar a composição com outras forças políticas de esquerda para que tenha condições de disputar no ano que vem. E que esta será a maior missão da presidente eleita no último domingo: “O PT precisa voltar a ser protagonista na política do Distrito Federal”.

Saiba mais

  • Foi na Universidade de Brasília (UnB), em 1976, que Erika Kokay iniciou a militância política; em 1982, ingressou na Caixa Econômica Federal e, em 1985, organizou a primeira greve dos funcionários, quando a categoria conquistou a jornada de seis horas e o direito à sindicalização.
  • Foi eleita presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília por dois mandatos (em 1992 e 1998), única mulher a exercer o cargo até hoje; em 2000, foi eleita presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF).
  • Foi deputada distrital por dois mandatos, em 2002 e 2006; e, em 2010, elegeu-se deputada federal pela primeira vez e, em 2014, reeleita.

A postura, na opinião de Vale, dos três deputados do partido – além dele, é do PT Chico Vigilante e Wasny de Roure – já é dura. Embora, ele diz, seja uma oposição responsável. “A gente tem atuado muito firme, principalmente diante de algumas bandeiras do governo Rollemberg, como as tentativas de privatização, gestão da saúde pública por organizações sociais, implementação do Instituto Hospital de Base, na relação com os servidores públicos etc.”, cita.

A bancada, conforme Vale – que teria cargos no governo, mas nega -, tem tido uma atuação muito correta. “A gente já faz oposição. Só não é uma oposição de inviabilizar o governo. E é onde vamos continuar: fazendo na oposição, mas de forma responsável”, informa.

Decisão, avisa ela, é do congresso

A decisão, diz Erika Kokay, é do congresso do partido, que se reuniu no último fim de semana. “É inequívoco. Somos oposição ao governo Rollemberg”, afirma, ao observar que oposição não se adjetiva, embora reconheça que o partido não se opõe à cidade. “Fazemos oposição ao governo Rollemberg em defesa da cidade, que está machucada, descuidada. A população está sendo vítima de um governo incompetente e irresponsável”, observa.

Os planos para 2018 passam pelo diálogo com outros partidos, ela diz, com possibilidade de o PT ser protagonista. “Queremos estabelecer um campo dos partidos de esquerda para discutir um programa. E o PT pode apresentar nomes”, conta.

Para muito breve, a sigla começa a organizar uma série de discussões para levantar, discutir e apresentar alternativas aos problemas da cidade, juntamente com os partidos “mais comprometidos com a população no campo democrático e popular”.

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