O promotor Maurício Miranda, que denunciou a arquiteta Adriana Villela como mandante do assassinato de seus pais, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela e a advogada Maria Carvalho Villela, e a empregada do casal, disse hoje que as provas existentes contra ela são “robustas, contundentes e bem fundamentadas”. O casal e Francisca Nascimento da Silva foram mortos com 73 facadas no dia 31 de agosto do ano passado no apartamento onde moravam, numa área nobre de Brasília.
Em entrevista coletiva, Miranda criticou os agentes da 8ª Delegacia de Polícia, que prenderam na semana passada o ex-porteiro do prédio Leonardo Campos Alves e um sobrinho da sua mulher, Paulo Santana, que confessaram o crime. Além deles terem agido fora da jurisdição da delegacia, o promotor disse não saber se houve a gravação dos depoimentos de Alves e Santana e mesmo se procede a versão apresentada por eles. “Situações estão sendo criadas para levar a uma conclusão errada”, afirmou. “Ninguém pretende obter condenações injustas.”
Para Maurício Miranda, as apurações feitas até agora pela Coordenação de Investigação de Crimes contra a Vida (Corvida) estão corretas. Ele elogiou a “integridade, capacidade e idoneidade” dos policiais lotados no órgão, que a seu pedido reassumiu a coordenação das investigações, afastando a 8ª DP do caso. “Os elementos dão pleno conhecimento da presença de Adriana no crime, mas sabemos que existem outras pessoas”, reiterou.
O advogado de Adriana Villela, Rodrigo Alencastro, considerou a denúncia de Miranda “precipitada”. Ele acusa o promotor de insistir na acusação contra sua cliente, “defendendo a posição que adotou antes”.
O advogado disse que não encontrou ninguém no meio policial que conheça o procedimento que indicaria a presença de Adriana no apartamento no dia do crime, por meio da medição de suas impressões e que é tido como um das provas contra ela. Segundo ele, esse tipo de exame só é usado na arqueologia para avaliar fases grandes do tempo, como eras, e não meses.