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Brasília

Projeto forja talentos no jiu-jitsu

Arquivo Geral

23/10/2013 17h12

A aula começa com todos os alunos de mãos dadas fazendo uma oração. Ninguém imagina que, na sequência, haverá uma sucessão de golpes, torções e pressão sobre o oponente. A cena se repete, há 13 anos, na academia de jiu-jítsu do 2º Batalhão de Polícia Militar, em Taguatinga.

 

Pelas mãos do professor Rogério Oliveira, sargento da PMDF, passaram dezenas de campeões. “O trabalho é gratificante. Além de capacitar policiais, a gente tem ajudado crianças que estão dando trabalho em casa”, resume o professor pentacampeão mundial, hexacampeão brasileiro e campeão sul-americano de jiu-jítsu.

 

Atualmente o professor Rogério é o número 3 no ranking mundial de jiu-jítsu, após passar um ano no topo.

 

Quem vê esse currículo invejável não imagina que, há 15 anos, a vida de Rogério era bem diferente. “Eu era sedentário, pesava 157 quilos e tomava muita bebida (alcoólica)”, recorda-se.

 

Foi preciso muito treino, dedicação e disciplina para virar o jogo. Hoje o sargento campeão é exemplo para os seus 250 alunos, militares e civis, que treinam de graça em Taguatinga. “Aqui não visamos lucro. O cara treina aqui para ser campeão”, explica. O filho dele, Ícaro Oliveira, segue o mesmo caminho. Aos 19 anos, é faixa preta e bicampeão brasiliense.

 

Formando campeões

 

Para treinar, os alunos só precisam apresentar o atestado médico. Os menores de idade precisam também da autorização dos pais.

 

O estudante Matheus Xavier, 14 anos, treina jiu-jítsu há um ano e dois meses. Ele sempre gostou de ver artes marciais na televisão. O adolescente chegou à academia por indicação de um amigo. No começo, treinava sem quimono mesmo. Mas essa não era a maior dificuldade. “Ficava esbaforido, parecendo que ia morrer após o treino”, lembra o estudante.

 

Matheus não tinha bom preparo físico e precisava melhorar a coordenação motora. “No primeiro campeonato, tomava um golpe e não sabia o que fazer”, diz. Segundo ele, o jiu-jítsu o ajudou a conquistar mais amigos e a ganhar mais saúde.

 

Jiu-jítsu muda a vida de policiais

 

A academia do professor Rogério, além de formar campeões de luta, está recuperando muitos policiais vítimas do estresse e do alcoolismo. “O jiu-jítsu ajuda a reverter essa situação com dedicação, perseverança e boa orientação”, explica o professor.

 

Outro benefício trazido pelo jiu-jítsu é a qualificação profissional. “Em vez de puxar uma arma de fogo, para o policial militar, é melhor treinar defesa pessoal”, sentencia o policial militar Emerson Tiago.

 

Lutador Anderson Vasconcelos. Foto: SGT Amilton Esse conselho deveria ser seguido por todos os policiais, segundo o sargento Anderson Vasconcelos. Ele só decidiu praticar jiu-jítsu quando se viu acuado diante de uma situação constrangedora, mas comum no dia-a-dia do policial militar. “Estava dentro do ônibus indo para o trabalho, quando um bêbado começou a mexer com os passageiros. O cara era muito forte. Ele me olhava e dizia que nenhum policial o colocaria para fora do ônibus. Era só pra me provocar. Pensei em descer de fininho. Mas fiquei. Três passageiros incomodados se ofereceram para me ajudar a tirar o bêbado do ônibus. A partir daí, decidi praticar uma arte marcial para não depender mais dos outros para dominar uma pessoa.”

 

Após ganhar um quimono do professor Rogério, o sargento Anderson não parou mais de treinar. Já são nove anos de luta e dois títulos mundiais e um vice-campeonato mundial. “Se eu passar uma semana sem treinar, fico estressado”.

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