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Brasília

Projeto capacita professores da rede pública no uso humanizado da inteligência artificial

Iniciativa gratuita e certificada vai até 2025 e aposta na formação docente, pesquisa internacional e letramento digital nas escolas

Redação Jornal de Brasília

29/05/2025 17h15

Foto: Divulgação/IAgora

Foto: Divulgação/IAgora

Com foco na transformação da educação por meio do uso ético e estratégico da inteligência artificial (IA), a Universidade de Brasília (UnB) e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) lançaram o projeto IAgora Brasil. Coordenada pela professora Isabela Oliveira, da Faculdade de Comunicação da UnB, a iniciativa terá duração de dois anos (2024 e 2025) e visa capacitar gratuitamente mil professores da rede pública de ensino do Distrito Federal.

O projeto atua em três frentes: formação docente, letramento digital via redes sociais e pesquisa científica internacional. A proposta pedagógica está alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), à Estratégia Brasileira de IA (Ebia), ao Plano Nacional de Educação Digital (Pned) e às diretrizes da Unesco. A meta é inserir a educação digital de forma crítica e humanizada nas escolas públicas, com metodologias inovadoras e aplicação prática desde o primeiro dia de aula.

“Queremos oferecer aos professores ferramentas que realmente transformem a prática docente, com um olhar ético, crítico e humanizado sobre a IA”, afirma a professora Isabela Oliveira.

Curso híbrido, gratuito e com acesso nacional a partir de 2026

O curso oferecido pelo IAgora Brasil terá 180 horas de duração, no formato híbrido, com aulas online e encontros presenciais em parceria com a Unidade-Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (Eape). A partir de 2026, o conteúdo será disponibilizado na plataforma Avamec, do Ministério da Educação, ampliando o acesso à formação para professores de todo o país.

O conteúdo abrange temas como educação digital, letramento midiático e visual, introdução à IA, uso de IA generativa na educação, metodologias digitais, bem-estar e convivência digital. Os participantes terão acesso a entrevistas com especialistas, vídeos curtos, ebooks e materiais complementares. A avaliação será feita por meio de testes e trabalhos em grupo, com exigência de 75% de aproveitamento no modelo da Eape. Na versão da Avamec, os conteúdos estarão organizados como minicursos autônomos.

“A trilha de aprendizagem foi pensada para atender às diferentes realidades da rede pública e oferecer autonomia ao professor”, explica Christiane Araújo, secretária-executiva do projeto.

Pesquisa internacional e impacto em políticas públicas

Além da formação, o projeto será base para uma pesquisa de pós-doutorado coordenada por Isabela Oliveira, que estuda o uso da IA na educação em 15 países, incluindo os Emirados Árabes Unidos. O objetivo é identificar boas práticas internacionais e contribuir com o desenvolvimento de políticas públicas em parceria com o MEC e a Secretaria de Educação do DF.

Os participantes da formação terão suas competências digitais avaliadas antes, durante e depois do curso, com base em parâmetros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Ministério da Educação. Esses dados servirão de base para decisões técnicas sobre o uso responsável da IA no ensino público brasileiro.

Investimento e compromisso com a inovação educacional

O IAgora Brasil conta com investimento de R$ 1,5 milhão da FAPDF, por meio do edital FAPDF Learning, voltado ao apoio de soluções inovadoras com uso de tecnologia.

“Apoiar um projeto como o IAgora Brasil reforça nosso compromisso com uma educação pública de qualidade, conectada à inovação e às demandas do século 21”, destaca Leonardo Reisman, presidente da FAPDF. “Formar professores para o uso ético da inteligência artificial é investir diretamente no futuro do país.”

Com informações da FAPDF

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