Jéssica Antunes
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Todo o processo de Juliana de Pina Araújo está em segredo de Justiça. A médica foi presa em junho do ano passado, após o filho de três anos morrer no hospital, por suposta superdosagem de medicamento. O caso aconteceu dentro do apartamento onde os dois viviam, na 210 Sul. Todo o andamento, documentos e decisões realizadas pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) tiveram o acesso limitado nesta sexta-feira (1º).
A audiência de instrução e julgamento do processo foi designada nesta tarde. Ao mesmo tempo, uma certidão foi emitida. Desde então, todo o histórico do processo não pode mais ser acessado na plataforma de pesquisa do Tribunal. Até mesmo os nomes de Juliana e do Ministério Público, autor da denúncia, foram suprimidos às iniciais.
Cena trágica
Em depoimento, uma testemunha relatou que no dia 27 de junho a mãe desceu, com um corte no pescoço, suja de sangue, gritando que teria matado o filho e queria se matar. Quando subiu, encontrou a vítima aparentemente dormindo na cama. Essa pessoa, que não teve a identidade divulgada, encontrou cartelas de remédios controlados – Frontal e Ritalina.
O porteiro do prédio colocou a mulher, o menino e a avó dele em um carro, que seguiu para o Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). Ali, o pequeno João Lucas morreu. Segundo o inquérito policial, a morte do menino foi causada por “insuficiência respiratória por intenso edema pulmonar”, provavelmente “causado por intoxicação externa medicamentosa”. Além da provável overdose, a vítima apresentava um corte na veia femural direita, na altura da virilha.
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A mulher ainda tentou tirar a própria vida, provocando ferimentos nos pulsos e no pescoço. Ela foi internada no Instituto Hospital de Base (IHBDF), onde permaneceu sob supervisão e custódia da Polícia Civil na ala psiquiátrica da unidade por 45 dias, até ser levada para a Penitenciária Feminina do DF, a Colmeia. A médica foi solta a mando da Justiça do Distrito Federal em agosto e internada em uma clínica particular.
Antes da expedição do alvará de soltura, o juiz Paulo Afonso Siqueira, do Tribunal do Júri, pediu ao Instituto Médico Legal (IML) que avaliasse a sanidade mental da mulher. O resultado do laudo está em sigilo e o processo contra a médica, na época, ficou suspenso. Ela responde por homicídio duplamente qualificado. Se condenada, ela pode ficar reclusa por até 30 anos.

Foto: João Stangherlin/Jornal de Brasília/Cedoc