Da Redação
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Mais pardais nas ruas, conscientização ou a “dor” no bolso? Os motivos ainda não estão claros para especialistas e autoridades, mas a verdade é que pela primeira vez, desde 2007, o número de mortes no trânsito não acompanha a passagem do calendário. Ou seja: nos três primeiros meses deste ano, no período de 91 dias, foram registradas 85 mortes em acidentes nas vias do DF, menos de uma por dia. Sinal de que o brasiliense colocou o pé no freio. No primeiro trimestre de 2011, foram 116 mortes; 109, em 2010; 99, em 2009; 107, em 2008; e 85, em 2007.
Os cerca de 850 pardais espalhados pelo Distrito Federal têm contribuído para a redução das mortes nas vias que cortam a capital federal. Seja porque a fiscalização eletrônica inibe os motoristas de trafegarem acima da velocidade permitida, seja porque as multas por excesso de velocidade pesam no orçamento dos donos dos 1,3 milhão de veículos registrados no DF. Só no ano passado, foram emitidas 1,2 milhão de multas para os mais apressadinhos.
De acordo com o diretor-geral do Detran-DF, José Alves Bezerra, essa queda é atribuída a uma série de fatores que têm sido trabalhados desde o final do ano passado pelos órgãos de segurança pública do DF. E, também, graças à fiscalização eletrônica espalhada pela cidade.
“Os pardais também inibem. Às vezes não tem como evitar o acidente, mas o excesso de velocidade pioraria a situação e os pardais estão aí para isso. Os equipamentos são grandes parceiros e fazem com que os condutores andem na velocidade da via. Os pardais são muito interessantes, pois fazem com que se uma pessoa se envolver em acidente, ela não tenha grandes danos se estiver na velocidade indicada”, explica Bezerra.
A servidora pública Karla Borges também acredita que os pardais são os responsáveis pela diminuição dos acidentes, mas avalia que o mecanismo também é o grande culpado pelo trânsito caótico da cidade.
“Existem locais em que a situação ficou bem ruim, como na EPTG. Lá, as pessoas mal conseguem trafegar, por isso a diminuição de acidentes”, comenta.
Em vez do aumento do número de pardais, o comerciante Geraldo Pessoa pede mais campanhas de conscientização dos motoristas. “Acho que deve ter mais conscientização dos condutores e para isso são necessárias as campanhas, que pouco vejo por aí. Tem que ter um investimento melhor nessa questão”, considera.
Operação Funil
Para José Alves Bezerra, outro fator determinante para a diminuição do número de acidentes fatais é a Operação Funil, desencadeada no final de dezembro de 2011.
“Ela identifica o local, o dia e a hora que as pessoas estão se envolvendo em acidentes e estão realizando blitze. Pela forma que a operação foi implementada, nós já esperávamos uma redução, mas não tão alto logo de início, o número foi surpreendente. A nossa responsabilidade agora é maior, pois temos que manter ou aumentar esse número”, afirma o diretor do Detran. Porém, conforme mostrou o Jornal de Brasília na edição de terça-feira, as autuações da Lei Seca caíram pela metade por conta da Operação Tartaruga da Polícia Militar.
Segundo Bezerra, é a operação que inibe os motoristas de dirigir alcoolizados. “As pessoas se envolvem em acidentes por distração ou por dirigir ao ingerir bebida alcóolica. A fiscalização têm sido mais efetiva do que a consciência do motorista. Mas vale lembrar que antes de iniciarmos as blitze, fazemos atividades educativas nos bares e boates e pedimos a consciência de que se beber, não dirija”, ressalta.