Pedro Wolff
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A Polícia Civil cruza os braços mais uma vez e a população tem a segurança prejudicada. A paralisação começou na manhã de ontem e tem previsão de terminar às 8h do sábado. A reivindicação é pela reestruturação da carreira e um aumento salarial de 28%. Ontem, o movimento nas delegacias foi pequeno. Somente alguns desavisados estiveram no local e foram pegos desprevenidos pela paralisação.
Foi o caso do operador de máquinas Edson Gomes, 36 anos, que afirma que essa situação só aumenta sua insegurança. Ontem, ele foi à 17ª Delegacia de Polícia de Taguatinga Norte para registrar uma ocorrência por ameaça. “Chegando lá, o agente disse que não podia fazer nada e que eu deveria retornar no sábado”, conta. Agora, revoltado, ele diz que o único dia que poderá retornar à DP é na segunda-feira. “Eu venho aqui no meu horário de trabalho e me deparo com essa notícia ruim”. Gomes disse que a única orientação que recebeu do agente de polícia foi a de procurar a Polícia Militar pelo número 190 em caso de emergência.
Ele conta que a razão para procurar a polícia é o ex-marido de sua mulher. “Ele tem uma arma de fogo e já foi atrás de mim. Inclusive possui uma passagem pela polícia por tentativa de homicídio”, conta. E diante da incapacidade de registrar uma ocorrência, ele diz que sua preocupação aumenta a cada dia.
A greve da Polícia Civil atrapalha não somente a segurança. No caso do presidente do Sindicato dos Rodoviários João Ozório, 42 anos, ela cria também barreiras administrativas. Ele foi pego de surpresa pela greve e agora está com dificuldades para realizar o próprio trabalho. A razão é que seu aparelho de celular foi furtado, e a empresa só libera outro aparelho com a cópia da ocorrência. “Agora vou para casa lamentar. Somente hoje eu me dei conta de como este serviço faz falta”, afirmou. Mesmo diante do descontentamento, ele pondera, na condição de sindicalista, que o direito do trabalhador à greve é sagrado.
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