O dito popular “é melhor prevenir do que remediar” se encaixa perfeitamente quando o assunto é câncer de mama. Evitar que a doença avance eleva em 95% as chances de cura a esse mal que atinge, por ano, mais de 52 mil mulheres no Brasil. Para conscientizá-las disso, começa hoje a campanha Outubro Rosa, um mês inteiro para disseminar a informação. “A população pode e deve se informar para ajudar a combater essa realidade. Vamos nos engajar para garantir um futuro mais saudável”, convoca o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Carlos Alberto Ruiz.
No País, o câncer de mama é responsável por quase 13 mil mortes, anualmente. No DF, a estimativa é de que mais de 800 mulheres tenham a doença, segundo a Gerência de Câncer da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
Segundo o levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer mamário é o tipo responsável pelo maior número de mortes entre as mulheres no Brasil, seguido pelo câncer na traqueia, brônquios e pulmões; cólon e reto; colo do útero e estômago.
A descoberta
Descobrir a doença nem sempre é fácil. A imperfeição da mamografia, já que algumas áreas do seio não aparecem na imagem, e o número de mulheres que não fazem o autoexame ainda atrapalham o diagnóstico. Porém, há alguns outros exames que podem ajudar a encontrar o problema.
“A ressonância magnética foi a mão de Deus, porque o contraste captou o câncer na mama direita, 12 cm para dentro, quase no músculo peitoral. Algo que não foi encontrado na biópsia”, conta Ester Macedo. Ela começou a sua investigação em 2008, quando fez o autoexame e sentiu alguns nódulos. O médico fez uma biópsia preventiva na mama esquerda, mas nada foi encontrado. Em 2010, porém, em mais um exame de rotina, o ginecologista sugeriu fazer a ressonância.
“Depois da biópsia cirúrgica confirmei o câncer no seio direito. O médico me deu três opções: tirar somente o pedaço com o tumor e fazer uma série de quimioterapias e radioterapias; tirar a mama direita inteira; ou tirar as duas mamas e depois de uma biópsia completa eu não precisaria fazer nenhum tratamento desgastante”. Ela optou por retirar os dois seios. Hoje, só toma um bloqueador hormonal e pratica exercícios diariamente.
A decisão de retirar as mamas não é fácil nem ideal para qualquer caso. No decorrer do tratamento, o que afeta muitas mulheres, na verdade, são a vaidade e as mudanças no corpo.
Autoestima
Saber que tem a doença pode abalar o emocional da mulher, como está acontecendo com a personagem Silvia, vivida por Carol Castro na novela Amor à Vida, da TV Globo. Mas muitas conseguem superar logo. É o caso de Sheyla Machado, que está passando pelo processo de reconstrução do seio desde 2009. “Eu precisava mostrar que mesmo com a dificuldade a gente pode ser feliz e bonita. Carequinha, eu usava lenço que combinava com a blusa e passava batom”, lembra.
Ela descobriu a doença em 2007, quando sentiu um nódulo durante um autoexame, mas a confirmação só veio um ano mais tarde.
Diagnóstico precoce traz bons resultados
Informação sobre a doença é sempre importante. Porém, para especialistas, é preciso saber como passá-la ao público. Principalmente quando o tema vai parar em uma novela. “É uma oportunidade de dar uma informação de saúde para um público mais amplo. Mas sempre depende do enfoque que queira colocar. O crucial é informar que diagnóstico precoce é possível através de exames periódicos e que o tratamento da doença tem grandes chances de bons resultados”, aconselha o chefe do Serviço de Oncologia da Hospital Universitário de Brasília, Sandro José Martins.
Ele reforça também a importância destes exames, principalmente, em pessoas que têm familiares diretos com histórico da doença. “Esses pacientes geralmente se beneficiam com exames moleculares para saberem se são ou não portadores de genes de risco. Caso sejam, a rotina de acompanhamento é diferente. Inclusive, a retirada das duas mamas, como foi o caso da artista Angelina Jolie”, completa.
Cuidados
Para o presidente da Comissão Oncoplástica da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Vilmar de Freitas Marques, falta um programa completo por parte do governo, que incentive o rastreamento mamográfico das mulheres acima dos 40 anos. “Em 2008 foi sancionada uma lei federal que dá à mulher brasileira acima de 40 anos o direito da realização do exame. Mas será que temos médicos o suficiente? Os exames têm qualidade? Existe uma campanha pública que faça o cadastramento dessas mulheres e solocite que elas compareçam ao hospital todos os anos?”, indaga.
Para ele, a prevenção secundária, ou seja, encontrar o diagnóstico o quanto antes, é a única forma de diminuir o número de óbitos pela doença. “A ocidentalização na nossa cultura, ficando parecida com países desenvolvidos, aumenta o número de casos por fatores ambientais e de dieta, aumento de peso e exercício”, observa.