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Brasília

Prevenção é o melhor caminho para a cura

Arquivo Geral

01/10/2013 9h03

O dito popular “é melhor prevenir do que remediar” se encaixa perfeitamente quando o assunto é câncer de mama. Evitar que a doença avance eleva em 95% as chances de cura a esse mal que atinge, por ano, mais de 52 mil mulheres no Brasil. Para conscientizá-las disso, começa hoje a campanha Outubro Rosa, um mês inteiro para disseminar a informação. “A população pode e deve se informar para ajudar a combater essa realidade. Vamos nos engajar para garantir um futuro mais saudável”, convoca o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Carlos Alberto Ruiz.

 

No País, o câncer de mama é responsável por quase 13 mil mortes, anualmente. No DF, a estimativa é de que mais de 800 mulheres tenham a doença, segundo a Gerência de Câncer da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. 

 

Segundo o levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer mamário é o tipo responsável pelo maior número de mortes entre as mulheres no Brasil, seguido pelo câncer na traqueia, brônquios e pulmões; cólon e reto; colo do útero e estômago. 

 

A descoberta

 

Descobrir a doença nem sempre é fácil. A imperfeição da mamografia, já que algumas áreas do seio não aparecem na imagem, e o número de mulheres que não fazem o autoexame ainda atrapalham o diagnóstico. Porém, há alguns outros exames que podem ajudar a encontrar o problema. 

 

“A ressonância magnética foi a mão de Deus, porque o contraste captou o câncer na mama direita, 12 cm para dentro, quase no músculo peitoral. Algo que não foi encontrado na biópsia”, conta Ester Macedo. Ela começou a sua investigação em 2008, quando fez o autoexame e sentiu alguns nódulos. O médico   fez uma biópsia preventiva na mama esquerda, mas nada foi encontrado. Em 2010, porém, em mais um exame de rotina, o ginecologista sugeriu fazer a ressonância. 

 

“Depois da biópsia cirúrgica confirmei o câncer no seio direito. O médico me deu três opções: tirar somente o pedaço com o tumor e fazer uma série de quimioterapias e radioterapias; tirar a mama direita inteira; ou tirar as duas mamas e depois de uma biópsia completa eu não precisaria fazer nenhum tratamento desgastante”. Ela optou por retirar os dois seios. Hoje, só toma um bloqueador hormonal e pratica exercícios diariamente.  

 

A decisão de retirar as mamas não é fácil  nem ideal para qualquer caso. No decorrer do tratamento, o que afeta muitas mulheres, na verdade, são a vaidade e as mudanças no corpo. 

 

Autoestima

 

Saber que tem a doença pode abalar o emocional da mulher, como está acontecendo com a  personagem Silvia, vivida por Carol Castro na novela Amor à Vida, da TV Globo. Mas muitas conseguem superar logo. É o caso de Sheyla Machado, que está passando pelo processo de reconstrução do seio desde 2009. “Eu precisava mostrar que mesmo com a dificuldade a gente pode ser feliz e bonita. Carequinha, eu usava lenço que combinava com a blusa e passava batom”, lembra. 

 

Ela descobriu a doença em 2007, quando sentiu um nódulo durante um autoexame, mas a confirmação só veio um ano mais tarde.

 

Diagnóstico precoce traz bons resultados

 

Informação sobre a doença é sempre importante. Porém, para especialistas, é preciso saber como passá-la ao público. Principalmente quando o tema vai parar em uma novela. “É uma oportunidade de dar uma informação de saúde para um público mais amplo. Mas sempre depende do enfoque que queira colocar. O crucial é informar que  diagnóstico precoce é possível através de exames periódicos e que o tratamento da doença tem grandes chances de bons resultados”, aconselha o chefe do Serviço de Oncologia da Hospital Universitário de Brasília, Sandro José Martins. 

 

Ele reforça também a importância destes exames, principalmente, em pessoas que têm familiares diretos com histórico da doença. “Esses pacientes geralmente se beneficiam com exames moleculares para saberem se são ou não portadores de genes de risco. Caso sejam, a rotina de acompanhamento é diferente. Inclusive, a retirada das duas mamas, como foi o caso da artista Angelina Jolie”, completa.

 

Cuidados

 

Para o presidente da Comissão Oncoplástica da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Vilmar de Freitas Marques, falta um programa completo por parte do governo, que incentive o rastreamento mamográfico das mulheres acima dos 40 anos. “Em 2008 foi sancionada uma lei federal que dá à mulher brasileira acima de 40 anos o direito da realização do exame. Mas será que temos médicos o suficiente? Os exames têm qualidade? Existe uma campanha pública que faça o cadastramento dessas mulheres e solocite que elas compareçam ao hospital todos os anos?”, indaga. 

 

Para ele, a prevenção secundária, ou seja, encontrar o diagnóstico o quanto antes, é a única forma de diminuir o número de óbitos pela doença. “A ocidentalização na nossa cultura, ficando parecida com países desenvolvidos, aumenta o número de casos por fatores ambientais e de dieta, aumento de peso e exercício”, observa. 

 
Cirurgia de reconstrução
 
 
Apesar do alto número de casos de câncer de mama  em países da América do Norte e Europa, o presidente da Comissão Oncoplástica da SBM, Vilmar Marques,  lamenta a falta de apoio do governo brasileiro, diferentemente dos governos dos países desenvolvidos: “70% das mulheres na Inglaterra fazem o rastreamento mamográfico. No Brasil não são nem 10%”, diz.
 
Em abril deste ano, o Sistema Único de Saúde (SUS)  passou a fazer cirurgia plástica reparadora da mama após a retirada em decorrência de câncer. De acordo com a Lei  12.802/13, quando existirem condições técnicas, a reconstrução deverá ser feita junto à retirada da mama. No caso de impossibilidade de reconstrução imediata, a paciente será encaminhada para acompanhamento e terá garantida a cirurgia logo após alcançar as condições clínicas requeridas.
 
 
Saiba Mais
 
Em maio deste ano, a atriz americana Angelina Jolie provocou polêmica ao anunciar que havia retirado as mamas porque havia grande probabilidade de ter câncer. 
 
A atriz, que perdeu a mãe vítima da doença, fez  um sequenciamento genético que identificou um “defeito” no gene BRCA1. Alguns hospitais e clínicas particulares brasileiros fazem o procedimento, que pode custar até R$ 7 mil.
 
O Ministério da Saúde alertou na época que ainda não há consenso científico sobre a eficácia da cirurgia de  mastectomia como forma de prevenção do câncer. 

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