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Brasília

Presença feminina completa 30 anos no policiamento do Distrito Federal

Arquivo Geral

04/07/2013 9h00

No início eram apenas cem, e hoje, 30 anos depois, a Polícia Militar do Distrito Federal conta com mais de mil mulheres que desempenham diversas funções – mas não só o contingente aumentou como também a forma como são vistas na corporação, narram algumas pioneiras.

 

“Havia certa restrição ao corpo feminino. Nem todos do corpo masculino aceitavam a nossa presença”, recordou a capitã Maria Aparecida Meirelles, uma das cinco mil a concorrer e integrar a 1ª turma da PM, em 1983.

 

Segundo ela, a corporação as cercava de zelo para evitar que o contato com os homens prejudicasse o trabalho – a responsabilidade das mulheres se limitava ao atendimento assistencial a crianças, idosos e a outras mulheres em shoppings, aeroporto e rodoviária.

 

A coronel Verônica Dantas, que também fez parte da 1ª turma a ingressar na PM, afirmou que as pioneiras foram “cobaias”, mas uma certeza existia: “A gente não veio para competir com os homens, mas para somar”, declarou.

 

Até 1990, as mulheres serviam em um quartel específico para elas, e os testes de aptidão também eram diferenciados – mas, com o curso misto, isso também mudou – “Não havia proteção, tudo era feito em pé de igualdade com eles”, lembra a sargento Ana Júlia Vidal.

 

Durante o curso, os alunos fizeram uma marcha de 23km de Taguatinga ao Park Way, fardados e com fuzis – três homens desmaiaram durante o trajeto, sem conseguir concluir o percurso.

 

Para surpresa geral, todas as mulheres cumpriram a tarefa – “Cheguei com o pé sangrando e ainda batendo um surdo (instrumento musical)”, recordou a sargento Cleoneide Lisboa.

 

Para elas, a incorporação das mulheres à polícia está associada a um atendimento mais sensível à população – “Era uma época muito fechada. Eu tinha 18 anos quando surgiu a oportunidade. A gente veio para suavizar o trabalho desgastante do policiamento, e a população nos recebeu muito bem”, avaliou a capitã Meirelles.

 

A capitã Maria das Graças Pereira, que entrou na corporação com 19 anos, disse que não tinha qualquer noção do que era o serviço policial, mas, com o tempo, o desconhecimento deu lugar à paixão e, agora, mesmo com a aposentadoria após 30 anos de serviços dos policiais militares, confessou: “Não estou preparada para sair”.

 

Hoje, elas acreditam que nem o corpo masculino nem a população se espantam em vê-las com arma em punho, em viaturas ou no comando de uma tropa composta majoritariamente por homens.

 

A tenente-coronel Cynthiane Santos, por exemplo, é a primeira mulher a comandar uma tropa de elite no Brasil – desde o ano passado, a coronel comanda o Batalhão de Choque do Distrito Federal.

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