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Brasília

Prédios particulares ameaçam a segurança

Arquivo Geral

11/11/2013 8h00

O péssimo estado das edificações não é privilégio do setor público. Em vários pontos da cidade, é possível verificar construções comerciais e residenciais que também sofrem com o resultado da falta de manutenção.

 

Rachaduras, infiltrações, marquises com estrutura malfeita  e falta de equipamentos básicos de segurança são facilmente encontrados em muitos prédios privados da capital federal. Segundo especialistas, os problemas, ocasionados principalmente pela falta de manutenção, podem trazer sérias consequências no futuro.

 

Segundo o subsecretário da Defesa Civil, coronel Sérgio Bezerra, muitos problemas aparentemente sem importância podem transformar-se em verdadeiras armadilhas para a população.

 

Negligência


“Essa parte acaba sendo muito negligenciada pelos responsáveis pela construção. As pessoas preferem viajar e até mesmo comprar um automóvel novo em vez de cuidar de sua própria residência. Em muitos casos, o que temos são casas construídas de maneira equivocada, principalmente nas áreas que tiveram ocupação desordenada”, afirma o coronel.

 

Quem precisa conviver com a falta de reparos estruturais na residência conhece bem a sensação de insegurança causada. É o caso do técnico em edificações Francisco José de Ribamar, 58 anos, morador de um apartamento na quadra 411 Sul. “Eu já fiz uma reclamação ao Corpo de Bombeiros. Esse prédio em que vivo não tem extintor e, além disso, o piso não é antiderrapante. Mas eles não resolveram nada. O que vejo aqui é um completo abandono”, aponta.

 

De acordo com o técnico em edificações, que mora há três anos no local, uma fiscalização mais eficiente ajudaria  a combater esse tipo de negligência. “Todos esses prédios de Brasília precisavam passar por uma averiguação. Além disso, se pagamos um condomínio, a manutenção deveria ser dada regularmente”, ensina.

 
Comércio tem medo

Nos prédios comerciais das principais áreas de Brasília, a situação também é crítica. Quem passa pelas lojas, bancos, igrejas e lanchonetes da W3 Sul, por exemplo, precisa lidar com o risco iminente dos problemas ocasionados pela falta de estrutura. O vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Distrito Federal (Crea-DF), Francisco Correa Rabelo, explica que o problema poderia ser facilmente solucionado com a criação de um programa de manutenção básica preventiva. “Mesmo com os preocupantes problemas registrados, os prédios privados trazem riscos menos graves à população. Muitos não contam com a mesma estrutura, como elevador, e a cobertura é menor”, relata.
 
 
O servidor público Alain Rossi, 46 anos, compartilha dessa opinião e acrescenta que a população deve cobrar medidas para melhorar o quadro atual. “Eu acho que a fiscalização deve ser muito mais rigorosa. E os cidadãos precisam fazer sua parte e cobrar mecanismos para mudar essa situação”, defende.
 
 
Prevenção

 
De acordo com o servidor público, com a ausência cada vez mais expressiva das manutenções preventivas, a apatia rouba a cena. “Nós nos acostumamos com essa situação e vamos levando dessa forma. Quando damos conta não estamos fazendo nada para mudar isso”, comenta.
 
 
O barato que pode sair caro


Para Francisco Correa Rabelo, vice-presidente do Crea-DF, além da falta de manutenção, as construções residenciais sofrem com as reformas feitas sem obedecer normas básicas de segurança. “Em muitos prédios, os reparos são conduzidos sem levar em consideração a segurança. Por exemplo, nos prédios de alvenaria, você não pode tirar uma parede de forma aleatória. Isso representa sérios riscos à estrutura.”
 
 
Segundo ele, em vários prédios em Brasília, como nas quadras 100 e 400, a caixa d´água inferior não funciona mais. O que fica é uma enorme caixa vazia. Como os moradores não podem ver a situação, gases podem ficar acumulados no local. “Isso afeta a estabilidade do prédio. Quando o problema é visto, o que poderia ter sido consertado com uma reforma simples, acaba necessitando de reforma ampla.”
 
 
Ele ainda destaca os problemas mais comuns encontrados nas edificações. “O que mais é fácil de ver são as tubulações enterradas, que podem ocasionar instabilidade no prédio, postos de gasolina próximos e marquises sem manutenção.”
 
 
Para o eletricista José Rodrigo Pereira, 27 anos, com as chuvas a sensação de insegurança aumenta. “É visível a falta de estrutura dos prédios. Há muitas rachaduras e o risco de desabar é grande, também”, diz.

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