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Brasília

Precoces, os jovens colocam os pais em xeque sobre a hora certa da liberdade

Arquivo Geral

20/05/2012 9h20

Kamila Farias

kamila.farias@jornaldebrasilia.com.br

 

Mais cedo ou mais tarde as crianças começam  a fazer perguntas sobre sexo. Na adolescência preferem descobrir sozinhos o que as coisas significam, o que faz com que namorem cada vez mais cedo. O início precoce da vida sexual torna-se, assim, uma consequência. A questão é que nem sempre os pais estão preparados para lidar com essa situação, não sabem como iniciar uma conversa com os filhos ou como se portar diante do despertar da sexualidade.

 

De acordo com o psicólogo e terapeuta comportamental Fábio Caló, a conversa deve ocorrer quando os pais perceberem um relacionamento mais longo do filho ou da filha e mostrar que existe uma relação de confiança. 

 

“Seria muito interessante se a conversa partisse desses pais. Isso seria feito em um momento em que eles apresentassem essa possibilidade como um voto de confiança no filho(a) em relação à escolha que ele(a) estaria fazendo e como uma abertura para o diálogo sobre um tema delicado entre a família, que é o sexo”, ressalta.

 

O especialista afirma que está cada vez mais comum deixar os filhos  dormirem com os namorados em casa. Mas deve haver limites. “Isso depende de quais são os valores da família. Pais podem orientar e supervisionar melhor o sexo seguro dos filhos quando esses estão mais próximos fisicamente e emocionalmente”, explica ele. E essa orientação, segundo o psicólogo, envolve diálogo, compreensão, abertura para ouvir e atender algumas necessidades dos filhos. Mas ele alerta que os jovens  devem ter um comportamento que não constranja os demais. “Cuidado com sons emitidos dentro do quarto e ao incômodo que pode resultar de um parceiro circulando semi-nu pela casa”, alerta.

 

Confiança

A comerciante Maria Pureza Barroso Teixeira optou em dar liberdade aos quatro filhos: Thiago, 26 anos, Diego, 23, Lucas, 18, e Gabriel, 17 anos. Ela acredita que desta maneira, deixando as namoradas dos filhos dormirem em sua casa ou seus filhos na das namoradas, proporciona uma relação de confiança e orientação. “Normalmente, elas é que dormem aqui, mas eles também podem dormir lá. Isso é para poder acompanhar, pois sei que dessa maneira, posso orientar”, conta.

 

O filho mais novo, Gabriel, conta que acha normal e agradece o modo liberal da mãe. “Meus amigos também são assim. Hoje em dia os pais não negam mais isso”, diz.

 

Mãe liberal também tem o estudante Jefferson Robert, 19 anos. “Ela já até foi na farmácia comprar camisinha comigo. Acho interessante essa participação, pois não corre o risco de a namorada aparecer grávida”, afirma.

 

Namorando há quatro anos, Jéssica Figueiredo e Lucas Meneses, ambos com 19 anos, contam que têm autorização dos pais para dormir um na casa do outro e acham isso muito bom, para não precisarem se arriscar fora de casa. “Acho em casa um local mais adequado. É melhor do que ficar na rua. E meus pais também pensam assim”, conta Jéssica.

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