Camilla Sanches
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Acaba hoje, às 23h59, o prazo para que mais de 1,4 mil famílias desocupem uma área em frente ao Setor de Indústrias de Ceilândia, batizada de Ocupação Novo Pinheirinho. Organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), o grupo de pessoas está no local desde o último dia 21 de abril e garante que não vai se retirar até que recebam uma garantia da casa própria, que é sua principal reivindicação.
“Vamos resistir e lutar pelo que acreditamos. A única arma que temos é o corpo e a palavra”, disse um dos militantes, Francinaldo da Silva, de 37 anos, que trabalha como pintor de paredes. Ele garante que os integrantes do MTST e nenhum dos ocupantes está armado. “Até porque temos muitas crianças e mulheres grávidas aqui. Não queremos que ninguém saia machucado”, acrescentou a ocupante Jessilene Pereira, 32.
Dirigente nacional do movimento, o vigilante Edson Francisco da Silva, 31 anos, declarou que nenhuma proposta apresentada pelo Governo do Distrito Federal satisfez às reivindicações das famílias. “Se eles insistirem na retirada, vamos resistir com barricadas de pneus e arames. São estes os únicos instrumentos que temos para continuar lutando. No máximo, pedaços de paus e pedras para nos defender”, disse ele.
A Secretaria de Ordem Pública e Social (Seops) informou que só vai se pronunciar a respeito do assunto após o fim do prazo para a desocupação. Segundo a Assessoria de Comunicação do órgão, depois disso o governo já estaria autorizado a intervir para executar a reintegração de posse.
O porta-voz do GDF, Ugo Braga, garantiu, porém, que a determinação do governador Agnelo Queiroz é insistir no diálogo, antes de qualquer intervenção direta. “O prazo acaba à noite. A partir daí, a Justiça vai determinar o que deve ser feito, ou seja, a retirada dos ocupantes. Mas não há uma data estabelecida de quando isso vai acontecer. Pode ser na segunda-feira, na terça ou em qualquer outro dia da semana. A intenção não é o confronto, mas a negociação”, reforçou ele.