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Brasília

Postos viram alvo de bandidos

Arquivo Geral

19/09/2013 11h00

Os assaltos a postos de combustíveis anunciam mais que um prejuízo financeiro a empresários e trabalhadores. A rotina de violência coloca em xeque o policiamento preventivo no DF. Um exemplo disso é um estabelecimento localizado a menos de 500 metros de um posto da Polícia Militar, em Sobradinho II que, em pouco mais de 30 dias, foi assaltado oito vezes. Apenas em agosto foram cinco roubos. Neste mês, outros três já ocorreram. 

 

As estatísticas comprovam o aumento de roubos a postos de combustíveis. Nos oito primeiros meses do ano foram contabilizados 47 assaltos a mais do que no mesmo período do ano passado. O levantamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP) mostra que entre janeiro e agosto deste ano foram 616 casos de roubos contra 569 em 2012. O crescimento é compatível a 8% no número de crimes contra os estabelecimentos.

 

O Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Distrito Federal (Sinpopestro-DF), porém, estima que as ocorrências de assaltos no mês passado cresceram 12% em comparação com o mesmo período de 2012. 

 

Prejuízos

 

No último dia 14, o posto de gasolina em Sobradinho II foi novamente alvo de bandidos. A claridade do dia não intimidou os criminosos, que assaltaram o local às 10h. O modo de operação é quase sempre o mesmo: armados, eles chegam de bicicleta, sozinhos ou em dupla, anunciam o assalto e saem tranquilamente. A ação dura segundos, mas é o suficiente para levar dinheiro, celulares, pertences pessoais, além de impor medo aos frentistas. 

 

Com os oito roubos, o gerente do posto, Ronaldo Siqueira da Silva, calcula um prejuízo aproximado de R$ 5 mil. Apenas em um deles foi levada uma quantia acima de R$ 1,2 mil.

 

Medo

 

Frentistas trabalham com medo e acham que deveria ter um trabalho preventivo da polícia. Mas para o comandante do 13ª Batalhão de Polícia Militar de Sobradinho, tenente coronel Anderson Ferrary,  o problema não é a falta de policiamento ostensivo, mas o tempo que meliantes ficam presos. “O estado os detém para que cumprem medidas socioeducativas, mas em pouco tempo eles já estão nas ruas.”

 

Pontodevista


O especialista em segurança pública da Universidade de Brasília (UnB)  Antônio Testa  aponta um dos motivos para a vulnerabilidade dos postos:   as áreas são abertas e de fácil acesso. “Uma das únicas saídas para diminuir o índice de roubos a esse tipo de estabelecimento é dificultar o acesso, com um projeto de um novo desenho físico. Mas isso implicaria em algumas mudanças de arquitetura, principalmente no Plano Piloto, o que esbarra no tombamento da área”, explica.

 

 

Segundo Testa, o comportamento dos suspeitos é dinâmico. O professor observa que criminosos mudam de uma área para outra quando se aumenta o policiamento em um determinado ponto. “A partir do momento em que a ação da polícia é mais ostensiva em algum lugar, os suspeitos migram para outros locais.  Além disso, os assaltos a postos de gasolina são praticados, na maioria dos casos, por menores de idade, que são protegidos por lei”, avalia.

 

Versão Oficial

 

O secretário de Segurança, Sandro Avelar, afirma que a polícia prendeu quadrilhas especializadas a roubos de postos e, com isso, a expectativa é de que os crimes diminuam. Segundo ele, quem pratica o delito está disposto a se arriscar por pouco dinheiro. “Além das quadrilhas, geralmente são usuários de drogas,  que roubam para comprar entorpecentes. O trabalho em prender os grupos  existe por parte da polícia”, diz.

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