Carlos Carone
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Com sinais de execução, um agente de Polícia Federal foi assassinado no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Wilton Tapajós Macedo, 54 anos, foi encontrado caído ao lado do jazigo de seus pais. Ele levou dois tiros, um deles na nuca e outro na têmpora. O federal, que tinha 24 anos de carreira, teve atuação importante na investigação da Operação Monte Carlo, que resultou na prisão do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
O carro do agente, um gol branco, foi levado. A Polícia Civil terá o apoio da corporação de Tapajós – que era lotado no Núcleo de Inteligência Policial (NIP) da Superintendência Regional da Polícia Federal – para elucidar o suposto latrocínio (roubo seguido de morte). Pelas circunstâncias do crime, ainda não existe uma linha de investigação única, principalmente pelo fato de a arma, uma pistola Glock nove milímetros, não ter sido levada pelo autor ou autores do crime. O mesmo ocorreu com a carteira, dinheiro e cartões que a vítima carregava.
Apenas uma dupla de funcionários do cemitério ouviu os estampidos provocados pelos disparos que atingiram o agente na tarde de ontem. Em seguida, as Centrais de Atendimento e Despacho (Ciade) da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros foram acionadas. Um dos funcionários, que trabalha como coveiro, ainda teria visto o carro do agente deixar o local em disparada. Essa pode ser a testemunha cabal para tentar identificar quem matou o federal.
Tapajós foi assassinado em uma área isolada do cemitério, onde ficam alguns dos jazigos mais antigos e não existe mais espaço para novos túmulos. Cercos policiais foram montados para tentar interceptar o veículo roubado. Apesar de algumas informações, o carro de Tapajós não foi recuperado até o fechamento desta matéria. A localização do sinal do telefone celular do agente também foi rapidamente acionada, por meio das antenas da Estação Rádio Base (ERB), que podem mapear a movimentação do aparelho.
Laudos
O laudo pericial produzido pelo Instituto de Criminalística e do Instituto Médico-Legal (IML) serão essenciais para determinar a dinâmica da morte. De acordo com fontes policiais ouvidas pela reportagem do Jornal de Brasília , os dois tiros que atingiram Tapajós foram disparados à queima-roupa, pois havia vestígios de pólvora em torno dos dois ferimentos provocados pela perfuração das balas. E mais, o executor do federal pode ter usado uma Magnum .357 ou uma Magnum 44. As duas armas são capazes de fazer grandes estragos e não são encontradas com facilidade nas ruas do DF. Para se ter uma ideia, entre as 2,6 mil apreensões de armas de fogo ocorridas nos últimos 12 meses, nenhuma Magnum foi encontrada.
Outros detalhes chamaram a atenção dos peritos, um deles foi uma lesão apresentada em uma das mãos da vítima. “Pode ter sido em virtude de uma reação natural de defesa”, explicou. A fonte destacou, ainda, que a pistola de Tapajós estava municiada, no entanto, não havia nenhuma bala na câmara. Não foram encontrados sinais de luta corporal na cena do crime.