A ousadia de um roubo à própria polícia, a adrenalina de uma perseguição e a aflição de duas famílias mantidas em cárcere privado. Todos esses crimes em série resultaram na prisão de quatro pessoas, entre elas um adolescente e o filho de um sargento da PM. Um quinto suspeito está foragido.
Tudo começou em um posto da Polícia Militar da região do DVO, entre o Gama e Santa Maria. Os suspeitos chegaram em um carro roubado e renderam os policiais. A ação foi percebida por um PM que estava de folga e, a partir daí, houve troca de tiros entre ele e os bandidos. Foi chamado reforço policial e o grupo partiu em carro utilizado no roubo, se dispersando em uma mata, já em Valparaíso (GO), na Região Metropolitana do DF.
Um integrante, no entanto, entrou num condomínio e fez duas famílias como reféns. Nove pessoas permaneceram sob poder do homem que, segundo a polícia, tem três mandados de prisão em aberto, por crimes como homicídio, roubo qualificado e porte de drogas.
“Aos poucos ele foi liberando os indivíduos. Liberou primeiro uma família só: o pai e a filha por volta das 22h e depois a mãe e o filho à 1h”, disse Kenedis Lourenço de Faria, da PM de Goiás.
Por volta das 6h, os policiais convenceram o homem a se entregar e liberar os outros cinco reféns. “Ele ficou bastante relutante, quis presença da imprensa, colete balístico, presença de um juiz. Na medida do possível, atendemos todas as exigências, com exceção do juiz”, completou o policial.
Conhecia a vítima
O último suspeito encontrado, Breno Barrense dos Santos, 22 anos, é filho de um sargento reformado da PMDF e estava na casa do pai, na QNL 17 de Taguatinga. Breno, que já tem passagem pela polícia pelo crime de extorsão, era conhecido de um dos policiais que levou uma coronhada na cabeça durante o roubo no posto da PM no DVO. A vítima é próxima da família do preso.
As negociações com o sequestrador duraram mais de dez horas. Uma das vítimas que ficou sob poder de Ricardo Feliciano Miguel, de 35 anos, conta que avistou o homem subindo a rua armado e pediu para que a família entrasse em casa. “Ele veio em nossa direção, daí fui pedindo para o pessoal entrar. Quando vi, ele entrou atrás da gente”, conta Fernando Nogueira, 41.