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Brasília

Plano? Até agora, nenhum

Arquivo Geral

19/08/2013 10h00

Coincidência ou falta de planejamento? No próximo fim de semana,  Brasília será palco de grandes eventos culturais e esportivos. Tudo isso em um único espaço: a área central. Na teoria, a variedade de opções é positiva. Mas na prática, o que se tem é um cenário nebuloso, que pode beirar o caos. Faltando menos de uma semana para as celebrações, nenhuma estratégia para conciliar os eventos foi definida. 

 

De acordo com produtores, não existe planejamento prévio para a realização dos eventos. A informação é confirmada pelo Governo Agnelo, que admite   ainda   estudar   estratégias.

 

As celebrações são para todos os gostos. Para os amantes do ftebol, haverá jogo do Flamengo e Grêmio no Mané Garrincha. Logo ao lado, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, haverá o esperado  show de Roberto Carlos. Além disso,   acontecerão apresentações do Cirque de Soleil, os shows do Samba Brasília e as programações da Funarte, do Clube do Choro e do Brasil XXI (veja a programação na página ao lado).

 

ANTECEDÊNCIA


Para especialistas, a falta de gerenciamento de risco em eventos que concentram um grande número de pessoas é maléfica. “É fundamental uma integração completa entre as forças policiais, organizadores e o governo em geral. Esse planejamento deve ser feito com o máximo de antecedência possível”, afirma Frederico Vieira, especialista em segurança pública.

 

Segundo Vieira, “é imprescindível que todos os órgãos envolvidos falem a mesma língua, pois se trabalharem isolados, as falhas podem surgir e serem irreparáveis”.

 

Para saber detalhes desse planejamento, a reportagem do JBr entrou em contato com a Secretaria de Comunicação. Entretanto, após três dias de espera, o órgão se limitou a responder que GDF está tomando as providências necessárias e estudando as   estratégias. E prometeu   divulgar maiores informações “em breve”.

 

Ponto de Vista

 

De acordo com o especialista em trânsito Paulo Cesar Marques, o ideal é que o brasiliense se acostumasse com essa quantidade eventos. Porém, para isso, é essencial que exista planejamento. “É preciso que haja uma operação especial dos órgãos de trânsito”, respalda Marques.

 

Segundo o estudioso, é preciso que os organizadores divulguem informações suficientes para facilitar a ida do público, e a imprensa tem papel fundamental nisso. “É importante que sejam divulgados pela imprensa e redes sociais as rotas de acesso, os planos de circulação e fazer recomendações para o público”, frisa.  O especialista destaca que é importante que o público saia de casa com antecedência para evitar transtornos e não correr o risco de perder o evento.

 

Sem caminho alternativo 

Para o tão esperado show do Rei Roberto Carlos  acontecerá sexta e sábado. A expectativa é de que por dia, três mil pessoas compareçam. Entretanto, mesmo diante do expressivo público, não foram criados mecanismos para facilitar a chegada do público. “Não existe caminho alternativo. Infelizmente, haverá congestionamento. A dica é   chegar cedo para não pegar trânsito ou ir de táxi, assim não tem que se preocupar com local para estacionar”, explica o produtor Marcelo Piano.

 

Apenas no Samba Brasília, são esperadas 120 mil pessoas durante os dois dias de shows. O evento acontecerá sexta e sábado  no estacionamento do Estádio  Mané Garrincha. Contudo, o produtor Carlos Constantino acredita que não haverá problemas em decorrência de tantos eventos   no Eixo Monumental.   Mas ele assume que as decisões finais não foram tomadas. 

 

“Durante a semana teremos uma reunião com a Secretaria de Segurança Pública. Este ano modificamos a área do show, desta vez usaremos a área do final do estacionamento, próximo ao Autódromo Internacional Nelson Piquet”, afirma.

 

Diálogo

 

O produtor Kleber Morais, do mesmo evento, argumenta que o diálogo com o governo já está acontecendo. “Estamos em contato com a Secretaria de Segurança Pública para garantir a mobilidade do público e não atrapalhar quem estiver de passagem pela área. Na próxima semana, teremos uma reunião com os produtores de todos os eventos para acertar os detalhes e garantir que eles possam acontecer paralelamente e de forma tranquila”, diz.

 

Ele aponta que algumas medidas certamente serão tomadas. “Teremos mais linhas de ônibus e o metrô funcionará até mais tarde, entre outras ações que estão sendo discutidas. A organização do trânsito ficará a cargo do Detran, que responderá à secretaria, de acordo com a reunião que acontecerá”, declara.

 
 
Divulgação é fundamental 
 
 
Para o especialista em segurança Frederico Vieira,   uma reunião na semana que antecede o evento é retardatária. “É inaceitável que os mecanismos para garantir mais mobilidade sejam pensados tão em cima da hora. Esse tipo de ação deve ser tomada antes da marcação das datas”, adverte.
Ele destaca que é essencial que população tenha acesso a essas informações com antecedência. “O público precisa saber quais serão os caminhos alternativos, as opções e as vias de acesso antes do show. Com certeza, é um direito de todo o cidadão ter acesso a esse tipo de informação pública”, pondera.
 
 
De acordo com a doutora em Turismo Marueschka Moesch, um dos principais problemas enfrentados pelos eventos realizados na capital é a dificuldade para a aquisição de ingresso. “É preciso encarar filas gigantes. Isso, sem dúvida, afasta os turistas”, opina. Para o dia do evento ela faz recomendações ao público, como não ir embora sozinho, de preferência ir de taxi, e ficar atento ao redor. 
 
 

Perigo entre grandes públicos

 

Duas tragédias acenderam o sinal de alerta para os perigos de grupos numerosos em um único local. Exemplo disso é  o incêndio, em janeiro deste ano, na boate Kiss, em Santa Maria (RS). Foram 241 mortes e 123 feridos.

 

Outro   exemplo é o atentado na Maratona de Boston, em abril último, que matou três pessoas e feriu mais de 200. 

 

De 1980 a 2007, ocorreram 215 desastres com multidões.  Festivais de música foram os principais cenários dos agrupamentos letais. Na Alemanha,   em  2010, 21 jovens morreram numa festa de música eletrônica.

 

 
Público deve se preparar 

 
A estudante Isabela Dantas, 19 anos, não vê a hora de ir ao   Samba Brasília, e antecipa que não pretende perder tempo para achar vagas. “O trânsito vai estar intenso porque tem jogo. Por isso, decidi que vou de táxi ou pedir para alguém me levar”, planeja.
 
Segundo ela, as datas desses eventos poderiam ser programadas de forma melhor, para evitar problemas. “Tem dias que não têm nada para fazer, e em outros há essa variedade. Com certeza, o público perde com isso”, pressupõe a estudante.
 
 
Expectativa
 
A dona de casa Raimunda Nonato de Sousa, 68 anos, conta que espera com ansiedade o show de Roberto Carlos. “Estou na expectativa para o grande dia. Afinal, receber o Rei na nossa cidade é um privilégio. Mas confesso que estou um pouco apreensiva, pois a cidade deve estar muito cheia”, diz. 
Segundo ela, que vai acompanhada de uma amiga, a opção será ir de táxi, para evitar contratempos. “Tenho receio de estacionar longe e ser  assaltada. Assim, aproveito o show sem dor de cabeça”.

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