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Brasília

Pipoca não pode faltar

Arquivo Geral

31/10/2013 10h30

O que Simone Spoladore, Gero Camilo e Rodrigo Santoro têm em comum? Todos já comeram a famosa pipoca do seu Ari. Há 18 anos, José Ari Martenha da Silva vende pipoca em frente ao Cine Brasília. Ele chega ao local sempre no entardecer, entre 16h30 e 17h. Com cuidado, monta o carrinho de pipoca, coloca o jaleco branco, as luvas e dá início aos trabalhos. Em pouco é possível ouvir os estouros do milho cru que se transforma em saltitantes bolinhas.

 

Em meio ao processo, as pessoas começam a se aproximar. Casais de namorados, grupos de amigos, famílias e alguns solitários formam fila para garantir seu saquinho de pipoca para assistir ao filme, como manda a tradição. “Aos finais de semana o movimento é maior. Acho que falta divulgação, o pessoal tem que saber que lá também tem filme bom”, diz o pipoqueiro.

 

Oportunidade

 

Migrante do Rio Grande do Norte, em 1987 Ari veio tentar a sorte de uma vida mais farta na capital do País. A situação estava difícil. Com um filho pequeno para dar sustento, recorreu ao carrinho de pipoca. Em suas andanças pelas ruas bucólicas da cidade, descobriu o Cine Brasília, um prédio de design gracioso. “Fiquei lá na frente, deu um bom movimento. Pensei: é aqui que eu vou ficar”, recorda Ari.

 

Renda extra

 

Quando o Cine Brasília foi fechado para reforma, em maio de 2012, Ari ficou por conta só de seu pequeno estabelecimento, localizado em uma via comercial de Samambaia, onde vende sapatos e artigos para papelaria. O espaço só foi reinaugurado esse ano. “Dependi dessa renda durante esse tempo. Mas o que recebo com a pipoca agrega no orçamento familiar e fez falta”, diz. 

 

Programação


Atualmente, o Cine Brasília exibe clássicos franceses, numa parceria com a embaixada da França. Filmes Que Amamos será uma programação permanente, dedicada a clássicos e cinematografias importantes do mundo. Ela acontecerá ao longo do ano, juntamente com as sessões normais de lançamentos de filmes e mostras especiais dedicadas a produções contemporâneas. Nesta sua primeira edição o projeto traz uma coleção de obras relacionadas com o movimento que revolucionou o cinema mundial nos anos 1950 e 1960.  

 

A agenda cultural completa do Cine Brasília pode ser consultada no site da Secretaria de Cultura, pelo site www.cultura.df.gov.br

 

Lugar de trabalho e de amizades

 

Com o passar dos anos, seu Ari conquistou fama, amizade dos frequentadores mais assíduos e também dos funcionários do próprio cinema. “O tempo vai passando e a gente vai conhecendo melhor as pessoas, vai se entrosando. Quando estava perto de reinaugurar, eles me ligaram avisando que era para eu me preparar para voltar, fiquei muito feliz”, comenta o pipoqueiro.

 

A tradição passou de pai para filho. Matheus tem 19 anos e reveza o trabalho em alguns dias da semana com o pai. “Ele estuda durante o dia, o horário fica bom, dá para fazer as duas coisas”, diz Ari.

 

O primeiro contato do pipoqueiro com o cinema foi no Cine Brasília. E de vez em quando ele aproveita uma brechinha do pouco movimento para assistir a um filme.

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