Danielle Cambraia, do Clicabrasília
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Vanda Rosa tinha 19 anos quando saiu de Minas Gerais para morar em Brasília. Não conhecia ninguém na cidade e se intitulou “ingênua, sem maldade” quando chegou por aqui. Logo, conheceu um rapaz 18 anos mais velho e se apaixonou. Entre idas e vindas ficaram juntos oito anos. Quando o namoro terminou ela ficou sem chão, entrou em depressão e até hoje faz tratamento psicológico. “Ele era minha companhia, meu porto seguro”, diz Vanda.
Durante um ano, Vanda não queria se relacionar com ninguém, não saía com os amigos e perdeu 12 kg. “Eu não tinha vontade de fazer nada, não comia. Eu tinha forças para ir ao trabalho porque eu precisa me sustentar e pagar minhas contas”, explica a moça. Vanda hoje tem 32 anos, é casada e tem uma filha de 1 ano e 8 meses. “Estou muito feliz com meu casamento, encontrei uma pessoa que me faz feliz e tenho uma filha linda”, explica.
Situações como a de Vanda são mais freqüentes do que se imagina e foi pensando nestas mulheres que o grupo das Mulheres que Amam Demais Anônimas (Mada) foi criado. Em abril de 1994, foi a primeira reunião em São Paulo. O grupo cresceu e migrou para outras cidades do Brasil. Hoje, já são 45 reuniões semanais em 14 Estados e no Distrito Federal. “O objetivo do Mada é recuperar as mulheres dos relacionamentos destrutivos e ensiná-las a se relacionar de forma saudável consigo mesma e com os outros”, conta Janete Passos, uma das psicólogas voluntárias do grupo.
O grupo não tem um número exato de frequentadoras porque algumas deixam o grupo no meio do tratamento. “Geralmente recebemos pessoas de classe média alta, mas não tem como traçar um perfil”, explica Janete. Segundo a psicóloga, têm mulheres que estão no grupo há mais de um ano e ainda não mostraram evolução. “Elas freqüentam as reuniões para desabafar. Nos encontros uma tem que ouvir a outra mas sem julgar ou dar opinião. Caso queira ouvir a opinião de alguma participante tem que ser em um local reservado. Uma regra no grupo é que a coordenadora tenha sido uma Mada (Mulheres que Amam Demais Anônimas) para dar exemplo de superação”, afirma.
No caso de Karina, foi ela quem terminou o relacionamento porque não era mais feliz ao lado do companheiro. “Foi uma decisão difícil. Ele me mostrou o que era ter um relacionamento saudável e a falta que sentia dele era muito grande. Sofri cerca de um ano. Não gostava de tocar no assunto”, conta Karina que diz que a prova de ter superado fim do relacionamento e falar sobre o assunto sem dor.
O maior problema neste sofrimento é a exclusão que a pessoa se coloca em relação a sociedade. Karina Pimenta, 28, teve um relacionamento que durou um ano e meio e se isolou dos amigos. “Nós tínhamos o mesmo círculo de amizade e com o término do namoro eu evitava sair porque só de pensar em encontrá-lo com a nova namorada já ficava em pânico”, explica a jovem.
Apenas um ano e quatro meses depois, Karina conseguiu ter um novo relacionamento, com o término não sofreu o mesmo tanto. Segundo ela, o sentimento não era igual e acredita que as mulheres sofrem mais. “Tenho muitos amigos homens e vi pouquíssimos sofrerem por amor. Eles têm uma facilidade de recuperar, sai com os amigos para conhecer outras pessoas. A mulher é mais sensível, sente mais a perda”, completa.
Mas sofrer por amor não é só uma característica das mulheres. Os homens também sentem a perda da pessoa amada. Tiago Farias, 24, namorou pela internet com uma moça do Ceará por um ano e nas férias de julho ela veio para a cidade. “A gente conversava muito, nunca faltava assunto. Ela ficou 18 dias em Brasília, mas foi uma frustração. Ao vivo ela falava pouco e era tímida”, explica o rapaz.
Tiago e a cearense tentaram continuar o namoro após a vinda dela, mas não foi possível. “Esperei um ano por esse encontro, nutri expectativas, e mesmo não sendo o que esperava ainda agíamos como namorados. E pouco tempo depois ela terminou comigo”, conta. Diferente das mulheres, um mês depois Tiago já estava em outro relacionamento. “Foi difícil terminar, mas eu não me entreguei. Trabalhava, estudava e contei para os mais próximos a situação. Isso ajuda a aliviar”, afirma.
Segundo o psiquiatra, doutor Raphael Boechat, 38, a mulher demonstra esse sentimento de dor mais que o homem, na maioria dos casos, sofre mais. “Os homens têm dificuldade em falar sobre o sofrimento e preferem ficar sozinhos. Já a mulher fala mais”, explica o doutor.
De acordo com Boechat, há pessoa que tem pré-disposição a ter algum problema com depressão e aí o cuidado tem que ser maior. “Se não for tratado isso pode ter um desfecho ruim, como um suicídio ou um homicídio passional”, afirma. Essas pessoas, têm que fazer um tratamento psicoterápico, isto é, terapia e remédios.
Se quiser saber mais sobre o Mada, acesse o site www.grupomada.com.br