Kamila Farias, com agências
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Mais de 573 mil pessoas possuem pelo menos uma necessidade especial no Distrito Federal, segundo o Censo de 2010, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pessoas com deficiência visual, motora, auditiva e mental somam 22,3% dos mais de 2,5 milhões de brasilienses. Mas Brasília não está preparada para atender a essa parcela da população, que sofre diariamente com as dificuldades por onde passa.
São calçadas quebradas ou com obstáculos, locais sem rampas e ônibus com elevadores desativados. O deficiente visual Wallace Paschoal, 56 anos, mora na chamada Vila dos Cegos, no Riacho Fundo II, e tem toda a independência de uma pessoa que enxerga, mas reclama do despreparo da cidade.
“A obra de acessibilidade daqui ainda não terminou. Colocaram uma calçada tátil, mas quem seguir por ela poderá bater nos postes que aparecem no meio. A própria população não respeita. Coloca lixo e carros na calçada”, reclama.
E os problemas não se restringem ao Riacho Fundo II. Segundo ele, é muita dificuldade para atravessar as vias e pegar ônibus por todo o DF. Quem também passa por isso é o operador de telemarketing Raphael Lucena, que é cadeirante. Ele utiliza o ônibus todos os dias para ir do Gama ao Núcleo Bandeirante.
“Quando saio do trabalho para ir até a parada, preciso dividir espaço com os carros, pois não tem passagem para mim pela calçada, não tem nenhuma rampa. Quando saio de casa é outra dificuldade. Preciso de alguém para me ajudar a subir a rampa da passarela, que é muito inclinada. Um amigo me acompanha na saída do trabalho para me ajudar a entrar no ônibus, pois nem sempre eles param perto do meio-fio e isso dificulta o acesso. No Plano Piloto também está difícil. Estamos deixados de lado”, lamenta.