O incêndio que devastou a Fazenda Água Limpa na madrugada de quinta para sexta trouxe apreensão para os professores da Universidade de Brasília (UnB) que realizam experiências na reserva. Mais de 150 projetos de pesquisa de várias unidades acadêmicas ocorrem no espaço. Ainda não é possível contabilizar o prejuízo ambiental e científico.
José Roberto Rodrigues, do departamento de Engenharia Florestal, participa de dois projetos na área. Um deles é o BeijaFAL, projeto de extensão de educação ambiental que traz alunos da rede pública de ensino para conhecer a vegetação e as espécies nativas. Para conduzir as visitas, o docente utiliza três trilhas da fazenda. “Ainda preciso verificar se elas não foram danificadas”, afirma.
Outro projeto que conta com a participação do professor é o de recuperação do Cerrado. “Temos uma área de seis ou sete hectares nessas condições, que já estão sendo recuperadas. O temor é o que o trabalho tenha sido perdido”, afirma.
Christopher Sagg, professor do Centro de Referência em Conservação da Natureza e Recuperação de Áreas Degradas (CRAD), também está apreensivo quanto as possíveis perdas. “Um dos meus alunos já está para descobrir o que foi perdido”, conta.
O professor de Botânica e Farmácia lidera projeto que monitora uma área da Fazenda desde 1983. “Registramos quais espécies aumentam e diminuem no local. Medimos quantidade, tamanho e altura”. Segundo o professor, as perdas podem prejudicar seriamente as pesquisas. “Um dos meus alunos iria começar uma pesquisa de mestrado na região no ano que vem”, afirma.
A professora Michelle Vilela, por outro lado, estava aliviada por nenhum foco de incêndio ter atrapalhado suas pesquisas. “Por lá não houve nada, mas é tudo muito ruim. Dou aulas aqui todos os dias. É triste ver isso”, disse a pesquisadora da Faculdade de Agronomia e Veterinária (FAV), que estuda o melhoramento genético em maracujás.