A visibilidade do Brasil entre as nações estrangeiras está em alta. Isso se deve, principalmente, ao desenvolvimento econômico alcançado pelo país nos últimos anos. Nesse cenário, aumenta também a curiosidade de outros povos em relação aos brasileiros, suas particularidades e modos de vida. O povo brasileiro também quer se mostrar ao mundo e encontrou nas redes sociais um ambiente privilegiado para cumprir o objetivo.
Ao observar essa realidade, Paulo Henrique Soares de Almeida, aluno de mestrado do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação, desenvolveu o artigo O brasileiro no Instagram: uma identidade globalizada, em coautoria com sua orientadora, a professora Célia Ladeira Mota. “É um brasileiro que está querendo mudar, que quer fugir dos estereótipos”, afirma Paulo Henrique. Os pesquisadores argumentam que, por um lado, o resultado é positivo por mostrar a inserção do brasileiro nas dinâmicas globais e a realidade do Brasil de forma nova. Por outro, é negativo, na medida em que há uma desvalorização da cultura e do regionalismo típicos do país.
Entre os dias 28 de dezembro de 2012 e 2 de janeiro de 2013, foram selecionadas 1.100 fotos da rede social Instagram (entre um total de 81.925 postadas no período com a hashtag – ou palavra-chave, na linguagem do aplicativo – #Brazil). Os pesquisadores perceberam alguns fatos, de certa forma, surpreendentes: só uma das imagens mostrava o futebol brasileiro e apenas 3% delas tinham negros. Além disso, grande parte retratava produtos globalizados, como tênis e óculos de marcas estrangeiras (em uma delas, é possível perceber a imagem da batata frita do McDonald’s representada como prato típico nacional). Mesmo o emprego do inglês na hashtag #Brazil demonstra o anseio do brasileiro em se mostrar para os estrangeiros.
O tema da pesquisa surgiu por ocasião da cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres, no ano passado. No evento, o Brasil, como nação sede dos Jogos Olímpicos de 2016, realizou apresentação para mostrar a “cara” do país. Paulo percebeu, nas mídias sociais, que muitos brasileiros não se sentiam representados pelos estereótipos propagados na apresentação em Londres – a exemplo da associação ao carnaval e ao futebol. A escolha do Instagram, entre tantas redes utilizadas massivamente pelos brasileiros, se deveu à maior facilidade para encontrar temas específicos, graças ao uso das hashtags (#).
Paulo Almeida apresentou o trabalho na conferência internacional Interfaces da Lusofonia, na Universidade do Minho, em Braga, Portugal. A viagem teve apoio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec). O pesquisador considera que a presença no evento foi relevante não só para ele, mas também para a UnB. “Foi importante mostrar que a Universidade de Brasília está realizando pesquisas interessantes, que está inovando e que não fica atrás de nenhuma outra instituição”, afirmou o mestrando. O artigo será publicado pela Universidade do Minho.