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Período de chuvas requer atenção redobrada com a dengue

Apesar da queda no número de casos, é importante se manter alerta e tomar as devidas precauções

Por Mayra Dias 04/11/2021 5h30
Foto: Divulgação

A chegada do período chuvoso pede cautela e precaução em diversos aspectos e, com relação à saúde, não seria diferente. “Observando os últimos 10 anos, sempre há essa explosão de casos nesse período devido às chuvas. Nessa época, há um grande aumento da população de mosquitos”, afirma o subsecretário de vigilância à saúde, Divino Valero. De acordo com o último boletim epidemiológico da Vigilância Ambiental, até setembro deste ano, 2021 apresentou uma redução de 68% no número de casos. Para manter os bons resultados, contudo, é preciso redobrar os cuidados em momentos chuvosos como o atual.

Atuando com esse propósito, a Diretoria de Vigilância Ambiental, da Secretaria de Saúde, conta hoje com 458 profissionais envolvidos diretamente nas ações preventivas. Conforme pontua o diretor de Vigilância Ambiental, Jadir Costa Filho, o foco, hoje, é a prevenção. Entre as ações promovidas pela Secretaria de Saúde do DF (SES DF) estão orientações educativas aos moradores, como não acumular entulho e dar fim aos pontos em que pode haver acúmulo de água.

Segundo a médica intensivista, Adele Vasconcelos, para se prevenir do transmissor, a higiene é um fator imprescindível. “Cuidar do nosso lixo o mantendo coberto, assim como as caixas d’água e não deixar água parada, acumulada em garrafas ou pneus”, salienta a profissional. A médica ainda enfatiza que, os terrenos abandonados são outro fator ao que se deve ficar atento. “Temos que ficar de olho nesses terrenos baldios. São locais muito comuns de proliferação”, complementa.

Ainda de acordo com o levantamento da Vigilância Ambiental, este ano, Planaltina foi a única região administrativa a registrar aumento no número de casos prováveis, de 2.363 para 3.054, uma alta de 28,3%. Ao ser questionado sobre o cenário, o administrador de Planaltina, Antônio Célio Rodrigues, contou que a entidade trabalha, desde o início do ano, buscando soluções. O gestor salienta ainda que, ao serem notificados sobre possíveis criadouros do mosquito, a administração sempre aciona outros órgãos para sanar o problema da forma mais rápida possível. “Sobre os terrenos abandonados, sempre que recebemos denúncias, fazemos trabalho conjunto com a Vigilância Ambiental e as medidas necessárias são tomadas”, diz.

Moradora da Região Administrativa, Maria Aparecida Ferreira que, pela segunda vez desde o ano passado, está contaminada, conta que, por mais que procure fazer sua parte, morar perto de um terreno abandonado dificulta a prevenção. “Moro do lado de uma área verde aberta, onde funciona um bar. Então, constantemente alguém deixa uma garrafa, uma latinha, um prato ou algum outro tipo de lixo por ali. É inevitável e não adianta pedir para não fazerem isso”, comenta a dona de comércio. Cida, como gosta de ser chamada, acrescenta ainda que, várias vezes, ela mesma já catou o lixo que deixaram perto da sua casa. “Isso é questão de consciência né, vai de cada um. Mas as pessoas tem que entender que esse não é um comportamento que vai afetar só ela, vai trazer problema pra todo mundo que está por perto. Olha o meu exemplo, faço tudo certinho mas por causa dos outros estou doente”, reclama a moradora de Planaltina DF.

Como medida de prevenção, Antônio Célio explica que, através das redes sociais, a administração divulga, de forma constante, publicações que visam a conscientização. “Além disso, nossa equipe faz, diariamente, recolhimento de entulho na cidade, para evitar que o mosquito prolifere”, expõe. Todavia, como destaca o administrador, o papel do morador é fundamental para o sucesso da causa. “A comunidade deve fazer sua parte, não jogando lixo/entulho em locais indevidos e cuidando de seus quintais”, expõe.

Em se tratando das quedas, as maiores reduções ocorreram no Gama e em Santa Maria, com 96,9% e 96,1%, respectivamente. No geral, o total de casos acumulados deste ano, até o momento, é de 12.439, enquanto no mesmo período do ano passado, esse valor chegou a 45.100, apontando uma queda de 73,5%.

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Mortes

O levantamento epidemiológico, quanto à morte dos infectados, mostrou que, em 2021, 11 mortes foram causadas pela dengue. De acordo com o documento, o último óbito ocorreu em agosto. Até outubro, a capital federal registrou 14.988 casos prováveis de dengue, o que, se comparado ao ano passado, representa uma queda de 72,2%. Em 2020, houve 45.385 notificações e 43 óbitos pela doença. As mortes, consoante ao documento, aconteceram em Planaltina, que registrou 4 óbitos, Ceilândia, que apresentou o mesmo número, Riacho Fundo, com apenas 1, Gama e Paranoá, ambos, igualmente, com somente uma morte.

A região de saúde Norte, desta forma, contou com o maior número de casos prováveis em relação ao total de registros da doença do DF. Foram, conforme o boletim, 5.439. Em seguida, está a região Sudoeste, com 1.859 notificações. A região Leste, por sua vez, trouxe 1.830 casos. Até agora, a pasta somou 12 notificações consideradas graves.

Mesmo sendo números baixos, Divino Valero salienta que não se pode relaxar. “Não podemos descuidar da atenção. É importante que toda a população tire dez minutos por semana para inspecionar seu quintal e possíveis áreas que podem acumular água parada”, pediu o subsecretário do órgão vinculado à Secretaria de Saúde. O dirigente revelou ainda que, mesmo sendo uma queda bastante considerável, as ações de combate à dengue manterão o mesmo ritmo de execução. “Semanalmente são discutidas estratégias internas da Vigilância Ambiental e discussões da Sala Distrital de Ações de combate ao Aedes, que conta com a parceria de diversos órgãos do GDF que atuam em medidas preventivas e de combate”, ressalta o titular.

As ações de combate ao Aedes Aegypti, conforme traz a chefe de mobilização das ações de combate à dengue da SES, Elaine Morelo, ocorrem diariamente. “Cada Região de Saúde conta com equipes de Vigilância Ambiental para vistoriar residências, imóveis abandonados e inclusive espaços que estão sem uso, como prédios abandonados”, garante, afirmando que o trabalho de inspeção das equipes da Vigilância Ambiental não cessou durante a pandemia. “Com o objetivo de reduzir a proliferação do Aedes aegypti e combater a dengue em todo o Distrito Federal, a Secretaria de Saúde realiza, ao longo de todo o ano, diversas medidas que contemplam vigilância constante, controle larvário, parte educacional, controle da população de mosquitos e recuperação do imóvel contaminado”, acrescentou a titular.

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A doença

Como explica Adele Vasconcelos, a dengue é uma enfermidade viral contraída a partir da picada do mosquito Aedes aegypti. A especialista esclarece que as larvas do inseto transmissor ficam inativas por um longo período de tempo, porém, ao começarem as chuvas e o acúmulo de água em locais inapropriados, as chances de proliferação e desenvolvimento do mosquito aumentam significativamente. “As larvas começam a se desenvolver naquela água parada. A partir disso o mosquito se desenvolve”, descreve.

Quanto aos sintomas mais comuns, estão as fortes dores de cabeça localizadas, principalmente, atrás dos olhos, chamadas retroorbitária, a mialgia, dor no corpo generalizada, a dor nas articulações e a febre. “Esses são os sintomas clássicos. A dengue, inclusive, é chamada de ‘febre quebra ossos’, pois é uma dor muito forte”, afirma a médica intensivista. Por se tratarem de sinais bastante parecidos com os da Covid-19, Adele completa reforçando a necessidade de uma avaliação minuciosa e detalhada. “Temos que ter bastante atenção e ficarmos de olho nesses sintomas”, reitera.

Segundo o que aclara o Dr. César Carranza Tamayo, médico infectologista do Hospital Anchieta de Brasília, se tomarmos pela quantidade total de pessoas com dengue a cada ano, a morte é um acontecimento incomum. “Em 2020, o MS informou quase um milhão de casos suspeitos de dengue com mortalidade de aproximadamente 540 pessoas, o que daria aproximadamente uma morte a cada 10mil pessoas com a doença”, argumenta, lembrando que esse dado deve ser tomado com cuidado, visto que os serviços de saúde passaram a maior parte do ano atendendo aos acometidos pela pandemia da covid-19.

O comportamento que leva ao agravamento do problema (dengue hemorrágica) é, como discorre o especialista, principalmente a falta de atendimento e orientação, seja por descaso do próprio paciente, da família ou dos serviços de saúde. “Os pacientes com dengue devem ser bem hidratados, às vezes com necessidade de hidratação venosa, e reavaliados, especialmente, quando apresentam sinais de gravidade como dores abdominais muito fortes ou que não melhoram com medicamentos comuns”, anuncia, citando alguns sintomas como vômitos persistentes, desmaio, queda da pressão arterial e aparecimento de sangramentos em qualquer parte do corpo.

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Apesar de serem menos comuns, casos de dengue hemorrágica, que podem levar à morte do paciente, acontecem e devem ser levados em consideração. “Temos sempre que pensar na dengue, apesar de serem casos mais raros, como uma doença grave e que pode sim levar ao óbito. As chances de desenvolvê-la são pequenas, de fato, mas temos que manter os olhos abertos pois não sabemos com quem pode vir a acontecer”, finalizou.








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