Uma das principais áreas de lazer do brasiliense, o Lago Paranoá também pode ser um local de risco aos usuários, caso as regras de segurança sejam desrespeitadas. Além de a conduta de banhistas e navegadores ser determinante, a falta de habilitação ou de documentação das embarcações indica que existe o perigo de acidentes. E, embora existam algumas normas gerais, são aguardadas regras específicas para o Lago Paranoá, que ainda estão sendo definidas.
Somente neste ano, a Marinha do Brasil já retirou 79 veículos náuticos de circulação no Lago. Em 2011, foram apreendidas 65 embarcações e, no ano passado, o número cresceu 44%, com 94 apreensões. Não possuir ou não portar habilitação são as infrações mais comuns.
Lanchas, motos aquáticas e barcos dividem espaços com esportistas no local, que praticam remo, vela, kitesurf ou stand up paddle, entre outras modalidades. Por isso, é fundamental ter atenção às normas de segurança. “Para pilotar, segundo as normas da Autoridade Marítima, é necessário possuir habilitação certificada pelo representante da Autoridade Marítima para a Segurança do Tráfego Aquaviário (Diretoria de Portos e Costas), em caráter amador”, informa o comandante da Marinha, Ronaldo Schara.
A moto aquática é um dos veículos que mais causam acidentes, segundo a Marinha. “Isso porque existe uma concentração grande de embarcações. No período de seca é comum a aglomeração de banhistas, por conta do calor, e consequentemente o maior número de embarcações. Este ano não tivemos nenhum acidente grave”, comemora o comandante.
Fiscalização
Ocorre com frequência o descumprimento de regras de segurança como conduzir embarcações sem habilitação ou embriagado no Lago Paranoá, denuncia o coordenador do movimento Amigos do Lago Paranoá, Guilherme Scartezini. “As normas de segurança são regularmente infringidas, principalmente pela falta de fiscalização. Pessoas morrem, na maioria das vezes, por consumir bebidas alcoólicas e ir para o Lago”, relata.
“Para quem bebe e dirige não há fiscalização. A velocidade das embarcações não é controlada. Algumas chegam a 130 km/hora, mas essa velocidade se aplica ao mar. No Lago, é um risco enorme”, diz.
Números
79 veículos náuticos foram retirados de circulação neste ano
94 foi a quantidade de apreensões de veículos no ano passado
65 embarcações foram recolhidas em 2011
Na seca, atenção redobrada
Com a seca, o nível de água no Lago Paranoá tende a diminuir. Por isso, usuários do local devem ficar atentos. Segundo a Marinha do Brasil, os navegantes encontram dificuldades, principalmente, a partir de setembro. “A nossa preocupação é com a segurança da navegação e também com as vidas que transitam por lá. Instituímos as normas para as pessoas se divertirem com segurança”, informa o comandante Ronaldo Schara.
De acordo com a Companhia Energética de Brasília (CEB), o Lago Paranoá está em bom nível para o período de seca e cumpre o regulamento da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa), que estabelece um limite de 1,08 mil metros. Porém, não informou em quanto estava o volume de água.
Regras
O estudante Pedro Borges, 20 anos, é um velejador amador. Ele começou a velejar há menos de uma semana, passou por um curso para se preparar melhor e se diz conhecedor das regras de segurança. “Já percebi que no Lago Paranoá o vento é constante, mas muda bastante de direção. Então, é preciso tomar muito cuidado. É importante seguir as regras de segurança para si próprio e para os outros, saber como manobrar, a questão da profundidade, uso dos coletes, como reagir a um incidente, de quem é a preferência. É um trânsito como outro qualquer, só que na água”, ressalta.
Plano de uso
O DF e Goiás juntos formam a quarta maior frota de embarcações no País. O Distrito Federal possui aproximadamente cinco mil embarcações. “O lago tem boas condições de navegabilidade, tais como profundidade, não tem troncos submersos. Com a seca há uma piora nas condições, principalmente, próximo às margens. Mas desde o ano passado o GDF e a Marinha preparam um Plano de Uso e Segurança no Lago Paranoá. Já está quase tudo pronto”, avisa Schara.
Respeito as normas garante a diversão
O funcionário público Luis Fernando Leite, 52 anos, já enfrentou muitos períodos de seca no Lago Paranoá. “Quando o lago baixa, não dá nem para sair com a embarcação, porque bate e estraga o barco. Às vezes é preciso pedir ajuda para navegar com segurança. Tem até veleiro que também não consegue sair para velejar em período de seca”, observa.
O autônomo Ricardo Damázio, 53 anos, e o funcionário público Giovanni Pretti, 51 anos, navegam juntos desde 2007. Ricardo diz que se deve ter respeito no Lago Paranoá. “No ano passado me lembro que tínhamos que amarrar a embarcação em um local mais no fundo porque não dava para aproximar da margem. É importante ficar atento às normas para não estragar o que é para ser uma diversão”, observa.
Secura incomoda
O tempo seco não só atrapalha a navegação dos barcos no Lago Paranoá como também incomoda os atletas. “A secura do tempo incomoda bastante, principalmente quem pratica exercícios. Ao fazer uma manobra em que se exige mais força a gente sente o corpo mais cansado”, destaca Giovanni Pretti.