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Brasília

Perigo ao redor Prédios públicos estão em situação crítica

Arquivo Geral

10/11/2013 11h05

Monumental, deslumbrante e relativamente jovem, mas com problemas nada compatíveis com seu pouco tempo de existência. A capital federal foi inaugurada há apenas 53 anos, mas a péssima conservação dos prédios públicos  ameaça a segurança e é motivo de preocupação para especialistas e a população. Segundo o vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), Francisco Correa Rabello, mais de 50% dos prédios priorizam apenas a manutenção da parte estética das edificações, ignorando a importância dos reparos estruturais.

 

O alto índice evidencia o cenário crítico no qual se encontram alguns edifícios públicos do Distrito Federal. A situação mostra que a manutenção e prevenção das edificações é, muitas vezes, negligenciada pelos gestores. “A consequência da falta de manutenção preventiva é o aumento da manutenção corretiva. Com isso, o preço sai mais caro. A pessoa não cuida quando deveria ter cuidado e é obrigada a fazer uma reforma para reparar os erros”, explica o engenheiro.

 

Para os cidadãos, os sinais da má conservação são visíveis e alvo de muitos questionamentos. “A gente fica sabendo dos problemas pelos meios de comunicação, mas o fato é que a população não tem informação. Só quando acontecem os acidentes é que percebemos que tudo poderia ser evitado com os devidos reparos”, diz a servidora pública Josy Santos, 67 anos.

 

Cobrança

 

Ela também ressalta que cada um tem papel importante para a transformação desse quadro. “Parece que é da cultura do brasileiro se preocupar depois. Se cada um cobrasse informações sobre a manutenção dos locais públicos, que é um direito nosso, talvez as coisas fossem diferentes”, relata a servidora.

 

O vice-presidente do Crea concorda e complementa que a maioria está longe de cumprir as premissas básicas. “O ideal é que seja feita revisão a cada cinco anos da  cobertura dos prédios e uma impermeabilização no mesmo período. Além disso, é preciso fazer uma inspeção anual nos elevadores.”

 

Ele  destaca que algumas medidas previstas na legislação são ignoradas. Com isso, a segurança de servidores e de pessoas que precisam passar por esses locais é colocada em risco. “A parte do sistema de combate a incêndio precisa passar por inspeção anual e eu não conheço nenhum prédio que faça isso. São os testes previstos na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para checar se todos os componentes estão funcionando. Esse mecanismo pode ajudar a evitar tragédias”, alega.

 

A fatalidade também pode ocorrer aqui



De acordo com o coronel Sérgio Bezerra, a problemática que envolve as edificações do setor público pode ser explicada culturalmente. “No Distrito Federal, as pessoas têm uma perspectiva incorreta sobre tragédia. Elas pensam que a fatalidade só vai acontecer em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro ou Porto Alegre. Por isso, elas menosprezam a manutenção, prevenção e conservação dos locais onde trabalham”, ressalta. 

 

Com o descaso, os riscos não são levados em consideração, afirma Bezerra. “O indivíduo se acostuma com a vulnerabilidade. Uma rachadura na parede passa a não preocupar e a não representar um ponto importante. É preciso que exista uma mudança cultural e comportamental”, defende. Segundo ele, essa falta de cuidado compromete não somente a segurança, mas, também, a integridade de quem passa por esses locais.

 

A auxiliar administrativo Kesia Dantas, 23 anos, que precisa passar pela Esplanada dos Ministérios diariamente, conta que a falta de adequação às normas de segurança e o descuido com a manutenção é motivo de medo. “Se pararmos para pensar, as pessoas que trabalham nesses prédios ajudam o governo a movimentar a economia e a desenvolver a capital federal. A estrutura de trabalho deveria estar à altura da importância da função.”

 

Ela acredita que falta força de vontade por parte dos gestores para prestar atenção nesses importantes detalhes. “A manutenção é reflexo do sistema engessado que compõe o setor público. Com certeza, falta uma atenção especial com essa área. Parece que só vão dar a devida importância quando o pior realmente acontecer. É fundamental a união de todos os envolvidos para mudar isso”, conclui.

 
Problemas no Centro


O caótico estado de conservação das edificações públicas da capital também se estende ao Setor Comercial Sul. A reportagem do Jornal de Brasília encontrou um prédio da Editora Universidade de Brasília (UnB) em péssimas condições. Em poucos minutos, foi observar rachaduras nas estruturas, infiltrações, fiação exposta, ar condicionado sem reparos necessários, além de pisos e pinturas danificados. 
 
“É uma vergonha encontrar prédios em condições como essa. Além de deixar a cidade feia, compromete a segurança de todos. Passo por aqui quase todo dia e sempre penso que estamos vulneráveis”, lamenta a secretária Priscila Dias, 31 anos. Para solucionar o problema, ela cita uma medida que poderia ser adotada. “Se existisse uma fiscalização e os responsáveis pela manutenção pagassem multa, eu acho que prestariam mais atenção a esse fator.”
 
Falta de manutenção


A evidente falta de manutenção pode resultar em perda antecipada de funcionalidade das edificações e aumento de risco para a população. “É comum encontrar licitação para reforma desses prédios. Mas se o escopo for analisado, é preciso verificar que as mudanças dizem respeito a tomadas e parte elétrica e não à parte estrutural”, afirma o vice-presidente do Crea-DF.
 
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da UnB, porém, até o fechamento dessa edição, não obteve resposta.

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