O Dia dos Pais teve sua origem na antiga Babilônia, há mais de 4 mil anos. Um jovem chamado Elmesu moldou e esculpiu em argila o primeiro cartão que desejava sorte, saúde e longa vida a seu pai. A ideia foi levada adiante por diversos povos e civilizações. Para muitos homens, porém, nem sempre foi fácil manter a tradição. Separações, brigas judiciais podem atrapalhar o relacionamento.
De acordo com dados do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), relativos ao primeiro semestre de 2013, há um total de 2.863 ações relacionadas à guarda de filhos em tramitação. O recurso é utilizado por pais ou mães quando esgotam todas as possibilidades de diálogo para uma convivência pacífica. Mas, apesar de impedimentos judiciais, físicos ou emocionais, muitos homens não desistem de exercer todas as responsabilidades, obrigações e delícias de educar e criar um filho. Ou seja, exercer o direito de ser pai, se possível, o melhor do mundo.
Disputas
O consultor gastronômico Sérgio Garcia sentiu que em alguns momentos houve disputas com sua ex-mulher que poderiam ter sido evitadas. Ele teve que ficar uma semana sem poder entrar em contato com os filhos. “Parecia que ela estava dificultando. Na época que a gente separou eu tinha acabado de fechar um restaurante e fui morar longe das crianças. Agora, comprei um apartamento pequeno a quatro blocos da casa da minha ex-mulher para estar mais presente”, afirma.
“Sempre fui um pai muito carinhoso. O pai que acaba vendo os meninos a cada 15 dias perde a identidade dos filhos. Não tem como eu educar ou cobrar de uma criança que eu não vejo sempre”.
Mais do que pagar pensão
O empresário Rodrigo Barreto afirma que a decisão de manter o laço com o filho após a separação tem que vir do próprio homem e é isso que garante um relacionamento saudável apesar das mudanças. Para ele, o primeiro passo em prol da criança é não a envolver nos desentendimentos e ações do divórcio. Hoje, ele olha para trás e percebe que esse processo é difícil para qualquer envolvido, mas tem orgulho da amizade que conquistou com a mãe de sua filha.
“A minha presença foi sempre exercida porque eu a busquei, independentemente da crise que tinha com a mãe da minha filha. Escolhi sempre ser pai e quis obrigações ao invés de só pagar pensão. Acredito que para a saúde da criança representar um pai com obrigações a serem atendidas é muito mais sadio do que simplesmente um depósito na conta corrente”.
Entendimento
Para especialistas, é muito importante buscar este entendimento, inclusive para garantir o direito das crianças e evitar colocá-los em conflitos. Há consenso de que não pode um pai ser privado do convívio diário com seus filhos apenas porque a ex-mulher não o suporta mais. Tampouco podem os filhos sofrer com a ausência do pai pelas mesmas razões.
Luta vitoriosa pela guarda
Apesar de jurisprudência brasileira ainda atribuir a guarda com maior frequência às mães, por razões culturais e sociais, os pais vêm ganhando força. Esse foi o caso do analista de sistemas Marcos Quezado que, há três anos, ganhou a guarda dos filhos. Marcos lembra que a batalha foi dura e que ninguém, além dele e os filhos, hoje com 13 e 15 anos, acreditava que ele iria conseguir.
“Eu sempre participei da vida dos meninos e, de repente, isso me foi subtraído. Tive que ir atrás. Minha ex-mulher tinha ido para o Rio de Janeiro com os meninos e só fiquei sabendo pela Justiça. Foi bastante complicado porque a Justiça é muito preconceituosa. Hoje, ela já admite que o pai cuide, mas é muito difícil, não dá muito valor. Você tem que buscar o momento certo, não pode perder o controle. Estou muito feliz agora. A gente brinca muito, mas sempre deixo muito clara a minha posição de pai”, lembra.
Preservar a criança
A psicóloga do Hospital do Coração do Brasil, Melissa Chaves, compactua com a forma de agir de Rodrigo. Para ela, o mais importante é preservar a criança ao máximo para que ela não seja vítima de sofrimento e trauma. “O ideal é evitar brigar na frente da criança e deixar sempre claro que o amor por elas permanece o mesmo. O processo de separação tem que acontecer entre o pai e a mãe. A criança nunca pode ser envolvida ou acabar virando alvo da disputa”, explica a psicóloga.
De acordo com Melissa Chaves, os prejuízos para a criança nessa situação podem ser irreparáveis e alcançar todas as esferas de sua vida adulta. Para a psicóloga, o importante é sempre tentar manter a comunicação com a criança, deixar claro o que está acontecendo e sempre preservá-la.
Ponto de vista
Para a advogada e professora de Direito da UnB Suzana Viegas, ambos os pais têm o dever de zelar pelo cuidado e educação da criança, assim como o de incentivar o convívio familiar mesmo após a separação. “As responsabilidades são definidas de acordo com as condições da separação. Hoje não se fala mais em obrigações tipicamente da mãe ou do pai, e sim, dos deveres de ambos para o desenvolvimento saudável dos filhos”, explica. O ordenamento jurídico vem adotando preferencialmente o modelo de guarda compartilhada devido às importâncias da co-parentalidade. “O que se vê é um grande incentivo para que ambos os pais continuem presentes da vida dos filhos. É fundamental estimular também a comunicação parental para que se possa exercer a guarda compartilhada com sucesso. Como advogada, uma das minhas maiores preocupações é desaconselhar qualquer prática de alienação parental, por atentar contra a dignidade do menor e da família”, conclui.