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PCDF e MP investigam esquema de corrupção em vistorias nos transportes públicos

Por Arquivo Geral 01/09/2017 8h03
John Stan/Jornal de Brasília

Amanda Karolyne
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Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal e do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) investiga um esquema de cobrança de propina envolvendo servidores da Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle (Sufisa) da Secretaria de Mobilidade (Semob). A Operação Check List foi aberta no início da manhã desta sexta-feira (1º), após um ano de investigações. A corporação acredita que o grupo tenha agido por, aproximadamente, três anos.

Segundo as investigações, o objetivo era fraudar a vistoria de ônibus do transporte público para liberá-los ao uso da comunidade, mesmo quando não havia condições de os veículos serem utilizados pelos passageiros. São cumpridos 14 mandados de prisão temporária, 16 de busca e apreensão e duas conduções coercitivas.

Dos mandados de prisão temporária, segundo a polícia, quatro são contra fiscais e auditores da Sufisa, e o restante contra agentes cooperados, comissionários e permissionários do transporte público. São eles: Willian Ney Rosa, Edson Sousa de Oliveira, Carlos Pereira, Marcus Vinícius, Weber de Jesus, Francisco Gomes e Marcos Teixeira.

Um dos alvos de prisão é o ex-cabo eleitoral Valdir Luis de França, o Valdirzão. Ele é responsável por uma cooperativa que roda em Planaltina, e pagaria propina para conseguir circular. Agentes cumprem os mandados em Planaltina, Vicente Pires, Taguatinga, Ceilândia, Recanto das Emas, Park Way e Paranoá.

Na casa de um dos suspeitos foram encontrados R$ 10.777, duas armas de fogo e um carro. Eles vão responder por associação criminosa, corrupção passiva e ativa e porte ilegal de arma de fogo.

Esquema

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De acordo com o delegado responsável pelo caso, Robson Rui, o esquema de fraude funcionava em duas etapas. Inicialmente, os integrantes do grupo submetiam o coletivo a uma vistoria veicular, em que era verificado se os pneus e óleo dos ônibus estavam em boas condições. Em seguida, o coletivo era verificado por um auditor fiscal, que analisava itens como catracas. “Eles combinavam o valor da propina de acordo com os defeitos que o veículo apresentava”, revelou o delegado.

De acordo com o promotor Fábio Nascimento, eram realizadas 54 vistorias por dia pela equipe da Sufisa. Destas, cinco não seguiram os trâmites legais. Os servidores, em troca de propina, permitiam que os ônibus do sistema coletivo de transporte pudessem circular sem condições, colocando em perigo o trânsito e a vida da população.

A manutenção dos coletivos quando mal vistoriada é um risco para a população. “Quando temos uma vistoria de mentira, ou inexistente, sem dúvida que o transporte público está sendo mal operado e o usuário vai ser colocado em risco”, destaca o promotor. Para ele podem ter outras cooperativas no esquema, e as investigações continuam. “Essa fraude já existia há muito tempo”, finaliza Nascimento.

Posicionamento

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Em nota, a Secretaria de Mobilidade garantiu que tem atuado no combate a todo e qualquer tipo de ilegalidade no sistema de transporte. Disse que recebeu a denúncia sobre irregularidades e acionou a PCDF para apuração. Segundo a pasta, as vistorias estão suspensas nesta sexta pela Sufisa e todos os veículos relacionados à investigação passarão por nova vistoria.






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