Gabriela Coelho
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“Estou assustado e com muitas dores, tenho pesadelos, mas a cada dia sinto que melhoro mais. É uma etapa ruim que vai passar e tão logo estarei bem”, conta Paulo Cezar Maia, de 44 anos, um dos moradores de rua que foram queimados em via pública. A outra vítima, José Edson Miclos de Freitas, 26 anos, morreu com 60% do corpo queimado.
Os homens dormiam próximo a uma padaria, embaixo de uma árvore, quando foram atingidos com o fogo. Os moradores de rua tentaram fugir, mas foram queimados e levados ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran).
Paulo Cezar segue internado no 3º andar do hospital. Ainda rouco, deitado em uma maca e com quase todo o corpo enfaixado, ele concedeu entrevista ao Jornal de Brasília e contou, com riqueza de detalhes, o terror que sofreu no domingo, 26 de fevereiro. “Eu estava dormindo com o meu amigo quando vimos que alguns rapazes colocaram fogo em um sofá que estava próximo. Começamos a rir porque eles saíram correndo e eu acreditei que não voltariam mais, que a brincadeira tinha terminado”, lembra.
Segundo Paulo Cezar, ele deitou de bruços na grama e o amigo de frente. “Antes de dormirmos, conversamos e rimos de situações que passamos. Alguns minutos depois, acordei com um cheiro de gasolina e vi que haviam jogado em nós. Rapidamente vi o fogo. Acordei o José e corremos, mas o fogo foi mais rápido”, explica, ainda com o fôlego cansado quando conversa.
Paulo Cezar afirma que não entende porque foi vítima. “Eu conhecia todos daquela região. Todos sabiam que ali era a nossa casa. Temos família de sangue, mas as pessoas que ali viviam comigo eram minha família também. Ficávamos ali conversando e dormindo. Eram todos amigos. Eu perdi o meu melhor amigo”, se emociona.
A irmã de Paulo Cezar, Isabel Maia, 44 anos, afirmou que ele está melhor, mas ainda sofre com crises de abstinência. “Ele está doido para sair e fumar, mas não pode. Ele fica inquieto, mas passa”. Segundo ela, por causa das dores, Paulo não consegue dormir bem. “Todas as noites ele é sedado para que possa descansar. Por muitas vezes, ele ainda lembra e fica triste”, conta a irmã.
A assessoria de imprensa do Hran informou que o estado de saúde do morador de rua é estável, depois de ter passado por duas cirurgias.
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