O Distrito Federal conta, hoje, com 72 parques ecológicos. O problema é que, de acordo com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), apenas sete contam com infraestrutura adequada para visitação pública. Ou seja, o restante é protegido, está em estado de abandono ou em processo de revitalização. Reflexo dessa realidade é a quantidade de processos que tramita na Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente (Prodema). As quatro promotorias analisam 210 processos e procedimentos relacionados às unidades administradas pelo Ibram.
Metodologia
Segundo o promotor de Defesa do Meio Ambiente (Prodema) Roberto Carlos Batista, é essencial que se criem condições para que os parques sejam úteis à população. “É importante que se resolva e se atenda a essas reivindicações a partir de uma metodologia do gestor, que é o próprio Ibram”, destacou. O maior problema encontrado em todos eles é a situação fundiária. Para resolver essa questão é necessária uma análise detalhada de cada um, explica o promotor.
Esquecidos
Apesar das obras de revitalização desde março, o Parque Três Meninas, em Samambaia, conta ainda com mato alto, sujeira e muita destruição. Das lembranças da década de 90 restam edificações abandonadas, que são ocupadas por usuários de drogas.
No parquinho, balanços quebrados e escorregadores improvisados. Na única quadra de esportes, jovens e adultos ainda se arriscam em uma partida de futebol. No entanto, o cenário é ainda mais crítico no interior do parque.
David da Conceição, 25 anos, e Terezinha de Jesus, 23, são pais do pequeno Mateus, de oito meses, mas eles não podem levar o filho para passear na área verde. “Aqui não tem a mínima segurança. Isso amedronta”, destaca a vendedora.
As obras de revitalização já estão acontecendo. O investimento será de R$ 3,5 milhões em infraestrutura.
Melhorias no Saburo Onoyama
No Parque Saburo Onoyama, em Taguatinga Sul, a realidade é menos agressiva, se comparada ao Três Meninas, em Samambaia. Mesmo assim, o mato está alto em alguns locais. Um número expressivo de pessoas aproveita a área para a prática de esportes. Mas, do total de 93 hectares, apenas de quatro a cinco são aproveitados pela comunidade. No fim da tarde as calçadas, apesar de desniveladas, são usadas para caminhadas e corridas. Porém, em alguns locais, há restos de tapumes.
A piscina está sendo reformada, mas continua cheia de água. Uma área com banheiro e fraldário foi inaugurada há poucos meses, mas logo foi destruída. Três portas dos sanitários foram furtadas. Isso, apesar da presença de oito vigilantes durante todo o dia.
Esporte
Já nas quadras de esportes o mato está alto e traves e cestas de basquete não existem. Os amigos André Maximiano, 18 anos, Patrick Alan, 19, e Patrick Alves, 17, frequentam quase diariamente o parque para a prática de esporte. “Dependendo do horário já aparecem usuários de drogas e moradores de rua. Lá pelas 17h vamos embora, pois fica perigoso”, explica André.
O soldado Lincon Lima, do Batalhão Ambiental, explica que há dois anos um convênio com o Ibram prevê o patrulhamento em áreas ecológicas. Segundo ele, após a presença dos policiais a segurança melhorou. “Algumas pessoas associam área pública com mato ao abandono e aproveitam para tentar praticar atos ilícitos, mas após a presença da polícia ambiental os crimes caíram a menos de 2%”, aponta.
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