Luís Augusto Gomes
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“Passar 11 anos sem ver o filho é muito triste. Se for calcular em dia, hora e minuto é muito tempo, mas serve de exemplo para estimular pais de outras pessoas desaparecidas”, disse, emocionado, o açougueiro Evandro de Paula, 49 anos, pai de um adolescente de 13 anos, ao reencontrar o filho. Ele não via o garoto desde que ele tinha dois anos.
Apesar do tempo, Evandro disse que nunca perdeu a esperança de encontrá-lo. O garoto, que também se chama Evandro, foi levado de casa, em Luziânia, Região Metropolitana do Distrito Federal, onde morava com a mãe. Foi a mãe do menino, que seria usuária de droga, quem desapareceu misteriosamente com o filho, em 2001.
A mulher fugiu com a criança e foi morar em Grajaú, cidade do interior do Maranhão, distante cerca de 1,6 mil quilômetros de Brasília. Com o desaparecimento e sem ter informação, o pai ficou desesperado. Afinal, o garoto era filho único de Evandro. Ele procurou a criança e a companheira por toda a redondeza, sem sucesso.
Quatro anos depois do sumiço ele registrou ocorrência de desaparecimento, na 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul). Mas os policiais o orientaram a procurar a polícia goiana, em Luziânia, onde o menino desapareceu. Era apenas a sequência de 11 anos de peregrinação.
De acordo com a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o adolescente só foi localizado após o Conselho Tutelar da cidade maranhense retirar a guarda da mãe, em abril último. A mulher foi denunciada por maus-tratos ao filho.
O adolescente foi morar na casa de uma professora, na mesma cidade. Preocupada, a educadora iniciou uma campanha nas redes sociais para tentar localizar parentes do garoto. Foi a partir da postagem no site de pessoas desaparecidas no País que surgiu a grande esperança de o jovem deixar os momentos difíceis ao lado da mãe e voltar à vida normal ao lado do pai e de outros cinco irmãos mais novos.
Um mês depois de a professora ter colocado a fotografia do adolescente no site de desaparecidos, em Grajaú, a analista legislativa Maria José da Silva Santos, que mora em Brasília, foi visitar parentes naquela cidade maranhense. A funcionária pública soube da história contada por uma sobrinha e fez contato na rede social com a professora.
Certidão
Maria José soube que o garoto tinha uma certidão de nascimento onde atestava que ele era de Brasília. Ao receber as informações a servidora entrou em contato com o serviço do Disque Denúncia, da Polícia Civil, pelo número 197. Pelo cadastro da instituição, a polícia descobriu que havia um registro de desaparecimento de uma criança na 21ª Delegacia de Polícia, feita em 2005 pelo pai.
Segundo a delegada Scheyla Costa, da DPCA, informado da localização do filho, o pai ficou emocionado. A delegada destacou a importância do trabalho conjunto da Polícia Civil do DF, do Conselho Tutelar e da Promotoria da Infância, os dois últimos do Maranhão, e principalmente da professora e da analista legislativa para que o desaparecimento do garoto tivesse um final feliz. “O mais importante é que pai e filho agora estão juntos”, afirmou.