Cavalos, celas, picadeiro e uma metodologia de trabalho pensada de acordo com cada necessidade. É o que encontram aqueles que buscam os serviços do Centro de Equoterapia do Regimento de Polícia Montada (RPMon) da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Em duas décadas de funcionamento, o programa atendeu mais de mil pessoas.
“O desenvolvimento dela melhorou bastante. O equilíbrio e a coordenação também”, avalia a artesã Rosimeire Oliveira, 48 anos, mãe da estudante Juliana Oliveira, 27, que tem deficiência visual.
De acordo com o comandante do RPMon, tenente-coronel Leandro Arthur Schweitzer, o caminhar do cavalo ajuda no tratamento. “O andar dele é tridimensional e tem movimentos semelhantes à andadura humana”, explica. “Para nós, é uma satisfação muito grande ouvir o depoimento de uma mãe agradecendo que o filho dela melhorou.”
Atualmente, cerca de 120 pessoas são atendidas pelo projeto, que tem custo zero para os participantes. O atendimento é semanal e dura, aproximadamente, 40 minutos.
Acompanhamento – O praticante é acompanhado por dois profissionais: um militar, com entendimentos de equitação, e um especialista em equoterapia. Ao longo do trajeto percorrido em cima dos cavalos, são encontradas placas com cores, números e outras indicações, cujo objetivo é estimular as sensações auditivas, visuais e sensoriais. Periodicamente, especialistas realizam avaliações acerca da evolução do participante.
O serviço de equoterapia conta com a parceria da Secretaria de Educação (SE) e da Caixa Beneficente da Polícia Militar (Cabe), que oferecem profissionais para o acompanhamento dos trabalhos.
A quantidade de profissionais deverá aumentar com a inserção de integrantes da Secretaria de Saúde (SES) no quadro. “Recebemos um ofício do RPMon solicitando nosso apoio. Estamos esperando um dimensionamento para saber quantos nós vamos poder ceder”, esclarece a representante da Secretaria no Projeto Viver sem Limite-DF, Andrea Chaves.
Ingresso – O tenente-coronel Schweitzer explica que podem participar do programa pessoas que apresentem ? de segunda a sexta, das 8h às 18h ? laudo médico indicando a equoterapia como meio de cura ou de terapia para que surja uma melhora.
Com o documento em mãos, é necessário levá-lo ao Regimento, onde será analisado por uma junta formada por profissionais de educação física, fisioterapeutas e psicólogos, entre outros. Se não houver vagas imediatas, a pessoa fica em uma fila de espera.
A permanência no projeto é, de no máximo, dois anos. Ao fim desse período, caso haja interesse em continuar, é necessário entrar na fila outra vez.
Prêmios – Com paralisia cerebral, Thaís Victória da Cunha, 16 anos, teve o lado direito prejudicado. Agora, ela apresenta com orgulho as melhoras: “Eu não abria a torneira com essa mão. Depois que eu comecei a fazer, comecei a abrir; até consigo segurar coisas”, comemora.
A jovem prova que os benefícios da terapia lhe permitiram ir além do RPMon. Neste mês, ao participar da I Edição do Campeonato Brasileiro de Enduro Paraequestre, Thaís alcançou o primeiro lugar na categoria 10 km.
Plano – O Centro de Equoterapia da PMDF é um dos 35 projetos inclusos no Plano Viver sem Limite-DF, coordenado pela Casa Civil e pela Secretaria de Justiça (Sejus).
Os projetos são divididos em quatro eixos – inclusão social, educação, saúde e acessibilidade – e, até 8 de novembro, os moradores do DF podem contribuir com o documento, que está em consulta pública.
Serviço
Regimento de Polícia Montada da Polícia Militar do Distrito Federal
Área Especial 01 Granja Modelo Riacho Fundo I
(61) 9676-1982